domingo, 17 de junho de 2012

CRÍTICA DE BAUDELAIRE¹À MODERNIDADE



No contexto da modernidade são obviamente notáveis as transformações ocorridas na sociedade em razão da aceleração gradual do progresso e da técnica. Pode-se dizer, de algum modo, que ambos constituíram, então, o motor central da era moderna, na qual puseram tudo em um movimento inevitável. Esse movimento, portanto, foi o principal agente de transformação, ou de construção das características que identificam a modernidade.
Ora, seria ingenuidade pretender negar que o progresso e o aperfeiçoamento técnico não contribuíram para a construção de cidades que se tornaram encantadoras e atrativas, em virtude de sua exuberante beleza, tal como, por exemplo, Paris, capital francesa. Por outro lado, também seria ingênuo não reconhecer as contribuições que a mesma técnica e progresso deram para o assolapamento da miséria humana na medida em que empurrou uma parcela considerável de pessoas para habitar as ruas e lugares inaptos à convivência humana nas grandes cidades.²
O progresso e a técnica favoreceram o surgimento e o desenvolvimento da indústria e das fábricas. Com essas, a sociedade se tornou capitalista. O capitalismo aqui é – pode-se dizer – aquela pressão exercida pelo mercado sobre o indivíduo, o qual muitas vezes, passa a ser, até mesmo, confundido com os próprios objetos fabris e industriais. Como consequência das produções industriais, um quantitativo considerável de transeuntes passou a se movimentar pelas ruas superlotando-as, portanto. Desse modo, se conclui que na sociedade capitalista já "não é mais possível andar tranquilamente pelas ruas" das cidades, de modo especial, as ruas comerciais. ³ Essa drástica realidade que tirou a tranqüilidade se instalou, sobretudo, pelo fato de que na sociedade de massa são os objetos da indústria que passam a dominar. Ou seja, nessa sociedade é a indústria quem dita as regras do jogo, que é sempre lucrar.
Diante da totalidade dessa realidade (marcada pela crueldade; pelo desprezo para com o humano; pelas contradições impostas pela lógica do sistema capitalista; pelas inversões dos valores, onde o indivíduo ora é sujeito, ora objeto) é que apareceu a figura do ilustre poeta francês Charles Baudelaire. Devido a esses eventos que marcaram a modernidade, é que a poesia baudelaireana vai ser marcada exclusivamente pelo sentimento de tristeza, de melancolia. Nesse sentido, Benjamin refere que “o engenho de Baudelaire, nutrindo-se de melancolia, é alegórico. Pela primeira vez com Baudelaire, Paris se torna objeto da poesia lírica”. [4] O conceito “alegórico”, aqui, se torna, muito importante, justamente, porque é a partir da visão alegórica do homem moderno, que a teoria crítica de Benjamin, tenta entender a modernidade. Baudelaire faz, portanto, um resgate da poesia lírica para o seu contexto, mudando-lhe os temas. A construção poética de Baudelaire já expressa a profundidade do seu pensamento, ou de suas concepções no que diz respeito ao olhar do poeta lançado sobre a cidade. Quanto a isso, segundo Benjamin

Essa poesia não é nenhuma arte nacional e familiar; pelo contrário, o olhar alegórico a perpassar a cidade é o olhar de estranhamento. É o olhar do flâneur, cuja forma de vida envolve com um halo reconciliador a desconsolada forma de vida vindoura do homem da cidade. [5]

O poeta, portanto, possui posicionamento e ponto de vista diferente daqueles que são assumidos pelas massas, no que diz respeito à cidade. Enquanto o poeta vê a cidade com um olhar não só de estranhamento, mas também de desconfiança, a massa, por sua vez, vê-la com grande encanto admiração e fascinação. É nesse cenário que vem à tona uma daquelas imagens pela qual Baudelaire expressa o seu pensamento em relação à modernidade: trata-se do flâneur. É com este que a arte definitivamente se dirige para o mercado e se transforma em mercadoria. Sendo Assim, a arte na modernidade, diferentemente, da tradição, se torna uma forma de ganhar dinheiro. O flâneur na poesia baudelaireana seria uma tendência do indivíduo para o mercado, para o consumo. “Com o flâneur, a intelectualidade parte para o mercado” [6]. Ou seja, esse fenômeno não arrasta somente as massas, que na sua maioria, isto é, na generalidade, é passível de ser movida por qualquer sinal de fascinação, com muita facilidade, mas atinge também, os intelectuais, num choque inevitável. Nesse sentido,

Baudelaire sabia como se situava, em verdade, o literato: como flâneur ele se dirige à feira; pensa que é para olhar, mas, na verdade, já é para procurar um comprador. Ao olhar, penetra na alma de qualquer um, realizando o que Baudelaire, no poema “As multidões”, denomina “santa prostituição da alma” e, mais adiante, a “ebriedade religiosa da cidade grande”. “A ebriedade a que se entrega o flâneur”, diz Benjamin “é a da mercadoria em torno da qual brame a corrente dos fregueses” [7]

O flâneur seria ainda uma espécie de instrumento por meio do qual o capitalismo, na busca pela aquisição de lucro, foi fortemente favorecido; aquele instrumento de persuasão que convence qualquer um a parar diante de uma vitrine e dela tirar o produto para, dada a compra, efetuar o consumo. Como instrumento do capitalismo, ele também tem a capacidade de criar necessidades nas pessoas, das quais elas não se dão conta naquele exato momento, mas somente num momento posterior. 
Outra personagem poética criada por Baudelaire é o dândi[8]. Segundo ele, o dândi é caracterizado por ser.

O homem rico, ociosos, e que, mesmo eterno entediado, não tem outra ocupação senão a de correr atrás da felicidade; o homem educado no luxo e acostumado desde a sua juventude à observância dos outros homens, aquele, enfim, que não tem outra profissão senão a da elegância sempre gozará em todos os tempos de uma fisionomia distinta, inteiramente à parte.[9]

Aparentemente, o dândi é aquele ser que se volta à procura dos prazeres e das comodidades da vida. No entanto, isso é apenas um aspecto da sua aparência, quando na verdade , ele é um ser misterioso.  Ele é sempre notável dentro de uma sociedade, sobretudo, porque a educação e a elegância constituem parte de seus traços característicos. É o indivíduo criado no luxo e que, portanto, não conhece o outro lado da existência, a saber, o sofrimento, a miséria, a tristeza, dentre outras. Mas nem por isso – ou seja, pelo fato de viver no luxo – ele é um ser de total felicidade. Tanto é que Baudelaire insinua que sua ocupação primordial é a busca dessa. De acordo com Baudelaire,

O Dândi não visa o amor como objetivo especial. [...]. O Dândi não aspira ao dinheiro como a uma coisa essencial; um crédito infinito ser-lhe-ia insuficiente; ele deixa essa grosseira paixão para os mortais vulgares. O dandismo não é sequer, como muitas pessoas de pouca reflexão parecem acreditar, um gosto imoderado pelo vestir bem e pela elegância material. Essas coisas são para o perfeito Dândi apenas um símbolo da superioridade aristocrática de seu espírito. [...]. Mas um Dândi nunca pode ser um homem vulgar.[10]

Em princípio, o Dândi aparenta ser complexo e de difícil entendimento; aquele ser insatisfeito que aparece não ter objetivos definidos. Sendo rico, ele não tem preocupações com o “andar bem arrumado”, entretanto, também não é vulgar. De acordo com Baudelaire, “o dandismo surge principalmente nas épocas transitória em que a Democracia ainda não era todo-poderosa, em que a Aristocracia só em parte é indolente e aviltada”. [11] Sendo, portanto, um ser de resistência e de difícil entendimento, pode se concluir que o Dândi é aquele ser que sempre quer dar uma mensagem; sempre quer fazer um alerta, ou chamar a atenção para alguma coisa que está por vir. Talvez seja pelo fato de voltar-se para algo fora do real, mas que, como previsão, poderá se realizar, é que o dândi se torna esse ser incompreensível, embora seja notado por todos. “O dandismo é o ultimo brilho de heroísmo nas decadências”.[12] Justamente pelo fato de fazer frente às decadências, não aceitar ser engolido pelo sistema e, portanto, resistir (até às ultima conseqüências) é que “os dândis são cada vez mais raros entre nós”.[13] 
No sentido da resistência que aqui está sendo tratado é que Baudelaire fala da imagem do herói. Em “A Paris do segundo império em Baudelaire”, Benjamin refere que “Baudelaire moldou a sua imagem de artista segundo a imagem do herói”.[14] O herói é aquele que busca certa autonomia; é aquele que sabe diferenciar uma coisa da outra. Ele está em constante luta contra as concepções vigentes de sua época e que distorcem a realidade. Sendo herói, Baudelaire não cai no extremismo de se adequar apenas a um lado da realidade, mas procura conhecê-la em sua integridade. É por isso que ele sempre estava presente em diversos lugares. Baudelaire andava tanto no luxo como no lixo. Desse modo, da mesma forma como ele ia aos lugares precários da cidade, ele também ia aos lugares nobres, como, por exemplo, os salões. Foi justamente isso que fez dele – mais do que um poeta – um herói. Baudelaire sabia que a sua sociedade era uma sociedade voltada para a busca do dinheiro e era essa uma das razões pelas quais uns eram ricos e outros, miseráveis. Foi justamente pelo fato de conhecer a pobreza de uma parcela considerável da população, é que a poesia de Baudelaire vai tratar de demonstrar as mazelas da cidade. Uma cidade que está em contato direto com a morte. Morte essa que se inicia por causa da busca de riquezas, o capitalismo. Essa cidade que se arruína, é aquela para onde todas as massas convergem. Para lá se dirigem porque no seu imaginário (da massa) a cidade passa a ser o local onde se encontra a felicidade. Nessa cidade, o homem não deixa rastro, pois, ele é dissolvido na multidão. Para Baudelaire é na cidade, portanto, que está a modernidade. A crítica que ele faz, não faz diretamente a ela, mas ao desenvolvimento da técnica, que trousse o progresso para uns e o regresso para outros. Diante da massificação da sociedade, é preciso reconhecer que Baudelaire não é massa, entretanto, ele que se envolver com ela. Tudo o que ele não quer é ser escravo de um sistema que atua, principalmente, na manipulação da consciência das pessoas.



[1] Escritor francês, nasceu em Paris no ano 1821 e morreu em 1867, aos 46 anos. Publicou antes de 1848, o período chamado dandy, os salões de 1845, 1846 e outros textos. Mas foi no período da maturidade, entre 1852 e 1863, que ele mais produziu os textos que marcaram época. Teremos na prosa baudelaireana, mesmo considerando a estética interna da poesia e na poesia em prosa, os antológicos escritores Sobre Edgar Allan Poe, a Exposição Universal de 1855, os caricaturistas franceses e estrangeiros, ambos de 1857, o Salão de 1859, a arte filosófica publicada em 1869, as experiências com drogas e suas reflexões em textos, o Richard Wagner e Tannhäuser em Paris de 1861, os escritores sobre Delacroix de 1863 e as conclusões esparsas na obra “Meu coração posto a nu”, de 1862-1864, onde afirma “Eu encontrei a definição do Belo, – de meu Belo. É qualquer coisa de ardente e de triste, qualquer coisa de um pouco vago, deixando margem à conjetura. Eu vou, se me permitirem, aplicar minhas idéias a um objeto sensível, ao objeto, por exemplo, o mais interessante na sociedade: um rosto de mulher”.  (cf. BAUDELAIRE, Charles. Obras estéticas. Trad. Edilson Darci Heldt. Petrópolis: Vozes, 1993.).  
[2] Na sociedade contemporânea, lixão além de se tornar morada de muitos, se tornou também o local de onde esses muitos passaram a retirar seus alimentos, quer aproveitando o resto de comida proveniente das fartas mesas dos capitalistas, aos quais o progresso beneficiou diretamente, quer extraindo elementos para serem vendidos a preço de miséria, o que também não resolveu a situação, pelo contrário, de algum modo contribui para uma linearidade no terrível estado de miséria. Portanto, o progresso e a técnica, prerrogativas exclusivas da modernidade, trouxeram para a sociedade os dois gumes da espada. Simultaneamente trouxeram a felicidade (de uns poucos) e a infelicidade (de muitos); a fortuna e a maldição; a vida e morte.
[3] Como exemplo pode ser citada a Rua Grande de São Luis – Ma, a Rua 25 de Março, no centro de São Paulo e a Rua XV de novembro no centro de Curitiba.
[4] Cf. KOTHE, Flávio (Org.). Walter Benjamin: Sociologia. Ed. 2. São Paulo: Ática, 1991. P. 38.
[5] Cf. Id. Ibidem. P. 39.
[6] Cf. Id. Ibidem. P. 39.                                                                                                             
[7] Cf. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-106X2005000100003&script=sci_arttext                                                                                                                   Acesso em: 18-06-2010
[8] O dandismo baudelaireano está não apenas na raiz de toda a fundamentação estética do que produziu o autor, mas até mesmo na origem e na justificação de sua conduta humana e social. Recorra-se ao próprio poeta para que se entenda melhor essa instigante e paradoxal postura diante da vida e da arte. O que seria exatamente esse dândi e qual sua função mais significativa? Para Baudelaire, a natureza estaria corrompida pela própria natureza [...]. Essa visão de natureza desde sempre e necessariamente corrupta faz-se ainda mais nítida numa passagem do ‘Éloge du maquillage’, em L’ art romantique, na qual Baudelaire sustenta que “la nature n’ ensegner rien, ou presque rien, C’est elle contraint l’homme à dormir, à boire, à manger, et à se garantir, tant bien que mal, contre lês hostilités de l’atmosphère. C’est elle aussi qui pousse l’ homme à tuer son semblable, à Le manger, à Le sequestrer, à Le torture.” [...] o dandismo baudelaireano nada mais é que uma manifestação do espírito, um processo da vida interior cujas raízes e implicações são bem mais fundas do que se possa imaginar. [...] O artifício do dandismo corrigiria assim a imperfeição natural, e esse é o desiderato único de toda a civilização. (Cf. BAUDELAIRE, Charles. As Flores do Mal. Ed. 4. trad. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. P. 55-56.).    
[9] Cf. BAUDELAIRE, Charles. Obras estéticas. Trad. Edilson Darci Heldt. Petrópolis: Vozes, 1993. P.239.
[10] Cf. BAUDELAIRE, Charles. Obras estéticas. Trad. Edilson Darci Heldt. Petrópolis: Vozes, 1993. P. 240.
[11] Cf. Id. Ibidem, P. 241.
[12] Cf. Id. Ibidem, P. 241.
[13] Cf. Id. Ibidem, P. 241.
[14] Cf. BENJAMIN, Walter. Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Trad. Maria Luz Moita; Maria Amélia Cruz e Manuel Alberto. Lisboa: Relógio D’ Água Editores, 1992. (P. 92).

domingo, 27 de maio de 2012

A ESTRUTURA DE UM PPP [PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO]



O Projeto Político Pedagógico (PPP) é constituído, grosso modo, de três partes, as quais se subdividem em outras: Marco referencial, Diagnóstico e Programação. A primeira dessas subdivide-se em três ramificações, a saber, marco situacional, março filosófico e marco operativo. O marco situacional compreende a visão de mundo, bem como os contextos político e geográfico da escola; o marco filosófico compreende a visão de homem e sociedade que a escola possui; e o marco operativo diz respeito aos objetivos e metas que a escola pretende atingir.
A segunda parte do PPP, o Diagnósticos, se constitui de duas etapas: a primeira consiste na identificação dos problemas; a segunda consiste na comparação do diagnóstico dos problemas com o marco operativo.
A última parte do PPP (a Programação) diz respeito ao conjunto de metas que a escola traça, ou planeja visando a sanar os problemas identificados. A Programação deve ser planejada levando em conta os limites orçamentários da escola. Pois as metas traçadas devem ser necessárias e exequíveis. Alem do mais, elas não tem outro objetivo a não ser suprimir os problemas diagnosticados.
Em suma, o PPP é construído a partir de uma perspectiva comunitária e participativa. 

O CRIME, O PODER E A FORÇA: PORQUE OS HOMENS SE MATAM NA POLÍTICA


___________________________________________________________________________

Resumo
___________________________________________________________________________
Pretendo neste escrito político-filosófico elucidar as causas da barbárie nas ações políticas que trazem à luz a dita politicagem e tudo o que lhe é inerente em detrimento do politicamente correto, em sentido amplo. Para tal, valer-me-ei das reflexões e teorias políticas e filosóficas daqueles que a história registrou como ícones e pilastras do pensamento político e do Estado, especialmente o Estado moderno, que nasceu das cinzas do antigo Estado feudal. Desse modo, lançarei mão do pensamento político daquele que foi – diga-se de passagem – o primeiro e maior observador das ações e comportamentos humanos no campo político, a saber, o pensador italiano Nicolau Maquiavel. Assim, ao falar dos crimes, no sentido amplo do termo, buscarei na obra O Príncipe, de Maquiavel, a base para a construção de argumentos consistentes que dêem conta da justificativa ou da explicação para o porquê de tanta barbárie, maldade e crueldade que permeia a esfera política. Sendo assim, levantarei a hipótese de que entre a política e a politicagem situa-se a esfera do poder. E nessa perspectiva, enfatizando Maquiavel, vou advogar e sustentar a tese de que é da disputa pelo poder – enquanto instrumento de dominação e conservação – que advém os crimes, o assassinato, o roubo, a fraude, a rapinagem e tudo o que não presta e que geralmente está agregado ao campo político, mas, que não faz da política enquanto arte de governar bem uma cidade, um Estado, uma nação etc. Ao final, vou convidar os leitores – se, de fato, quiserem entender o porquê dos crimes nas ações políticas – a pensarem sobre a seguinte questão: qual é a essência do poder? E ainda: o que o poder tem de interessante de modo que por causa dele os homens se matam, vidas são tiradas e sangue inocente é derramado? Pensemos e reflitamos juntos sobre isso. Pois, isso nos ajudará a entender melhor a política e assim evitar os erros do passado.
___________________________________________________________________________

Recentemente apresentei – no Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) – a minha monografia de conclusão de curso versando sobre a origem do Estado a partir da noção de igualdade humana no estado de natureza. Busquei mostrar como surge essa instituição – o Estado – na qual nós estamos o tempo todo submissos a uma série de regras que limita nossa liberdade de ação. O que quero, aqui, é chamar a atenção para a expressão “estado de natureza”. Trata-se de uma hipótese que foi formulado pelos pensadores contratualistas como, por exemplo, o suiço Jean-Jaques Rousseau e os ingleses John Locke e Thomas Hobbes. Com essa hipótese do estado de natureza, eles pretenderam mostrar como o estado de sociedade nasce a partir de um contrato celebrado entre seus membros. O estado de natureza – enquanto hipótese – designa uma condição de vida e existência na qual não há juiz, nem autoridade política, nem advogado, nem tribunal e nem polícia. Seria um estado no qual todos pudessem fazer o que quisessem na hora que melhor lhe aprouvesse. Em resumo, seria o estado de anarquia e de desordem, o reino do caos. Thomas Hobbes vai dizer que é um estado de guerra de todos contra todos. Essa teoria político-filosófica é interessante dado que nos ajuda a entender porque obedecemos às regras que nos são impostas. E, desse modo, é também interessante haja vista nos introduzir na compreensão dos princípios da política.

A despeito da política enquanto arte de governar, na antiguidade – desde os gregos – já havia a intenção de se fazer ou construir um bom governante. Foi lá (na Grécia antiga) que surgiu aquela forma de governo que ainda hoje perdura, e que nós conhecemos como o nome de Democracia. Nesse período, Sócrates, Platão e Aristóteles se destacaram como os maiores pensadores da polis (cidade, em grego). Sócrates, que já havia percebido a esperteza dos governantes, foi condenado à morte uma vez que fez a denúncia das mazelas sociais, denúncia essa que se deu na forma de educar os jovens de Atenas. Por isso ele foi acusado do crime de corromper a juventude, quando na verdade ele só queria instruí-los. Mas isso não foi bem visto pelos olhos das autoridades políticas. Assim como Sócrates, Jesus Cristo também foi morto por decisão política na medida em que igualmente fez a denúncia das injustiças que marcavam as instituições e a sociedade de sua época.  Nesse sentido, a morte de cristo é mais um fator político que um fator religioso. Os interessados na morte de cristo eram nem tanto aqueles que não acreditavam que ele fosse filho de Deus, mas, sobretudo aqueles tolos de vista tapada frente as falcatruas do poder. E a sentença de Cristo, assim como a de Sócrates, Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Abraham Lincoln, irmã Dorothy Stang e a de Décio Sá (jornalista maranhense que foi assassinado recentemente) e tantos outros nada mais é do que o resultado, ou estopim de uma situação que se constitui como ameaça para aqueles que estavam no poder: ameaça de perder o poder.     
             
Na Idade Média a Igreja pretendia ser superior ao Estado em assuntos humanos e políticos. Para se ter uma idéia, em algum momento da Idade Media, o papa tinha um conselho consultivo ao qual, muitas vezes, o rei tinha que consultar antes de tomar algumas decisões.    
                                       
No final da Idade Média e início da Idade Moderna, a disputa pelo poder – diga-se de passagem – fragmentou a Itália em vários Estados independentes e desarmônicos entre si, como, por exemplo, o Reino de Nápoles, o Ducado de Milão, a República de Veneza, a República de Florença e os Estados Pontifícios. É nesse contexto que aparece Nicolau Maquiavel, cidadão florentino e maior pensador político do início do período moderno. Alem de escritor, historiador e filósofo por afinidade, Maquiavel foi um grande nome da política italiana desse contexto. Como secretário da República de Florença, ele fez varias viagens pelas regiões da Itália e arredores. O que mais chamou a atenção de Maquiavel pelos lugares onde passou foi a maneira como os homens se comportavam e agiam em matéria de política. Maquiavel viu que por causa do poder o assassinato era uma pratica quase que corriqueira na vida política. Percebeu que os homens se matavam e faziam de tudo para permanecer no poder. Por isso ele foi um grande observador do comportamento e da natureza humana em sentido político. Como a Itália estava dividida em estado que brigavam entre si, Maquiavel – a partir daquilo que observou da política – escreveu um livro intitulado O Príncipe (que aqui recomendo aos leitores). Esse livro ele dedicou a Lourenço de Médici no intuito de dizer o que ele deveria fazer para unificar a Itália libertando-a das mãos dos bárbaros. Esse livro, que é composto de 26 capítulos, divide-se em duas partes principais. Na primeira ele trata da força e, na segunda, trata da aparência.        
             
Tradicionalmente pensava-se que para governar era preciso ter força. Daí a idéia de que o governante tinha que ter um poderoso exército. Entretanto, quero chamar a atenção aqui para o fato de que na vida política há algo mais importante que a força. Nesse contexto, Maquiavel insinua que o governante político deve ser também inteligente. Pois há dois tipos de combate: um pela força e outro pela inteligência. Este segundo é próprio dos homens, o primeiro é próprio dos animais. No capítulo XVIII do livro, Maquiavel compara o governante a um centauro para dizer que ele deve usar tanto da humanidade quanto da animalidade.

Quando Maquiavel alude que o governante deve aprender a não ser bom, isso não deve ser entendido como se ele tivesse querendo dizer que o governante político devesse ser sempre mal. O que ele quer dizer é que o governante deve se valer ou não da maldade conforme a necessidade. Nesse sentido é que ele argumenta que quem quiser ser sempre bom em tudo o que vier a fazer, vai acabar se arruinando em meio a tantos que não são bons. Logo, o governante deve aprender a ser mal e a ferir quando assim for preciso para a garantia da estabilidade política. É por essa razão que a força se configura como um elemento necessário da vida política.

Do pensamento de Maquiavel ainda foi extraída a máxima “os fins justificam os meios”. Entretanto, essa máxima foi desvirtuada e passou a ser usada pelos políticos desde o tempo de Maquiavel até nossos dias atuais como forma de justificativa teórica para a bandidagem dos políticos que praticam a politicagem. Quando se diz que os fins justificam os meios deve se entender por meios justificados corretamente apenas aqueles que concorrem para o bom andamento da sociedade e para o benéfico de todos(já que vivemos num regime democrático), e não para o benefício particular de alguns, um grupo, ou uma família (como, por exemplo, a família Sarney no Maranhão). A interpretação errada da máxima os fins justificam os meios é a seguinte: se o objetivo do governante político é se manter no poder, então, qualquer meio que ele vier a usar para o alcance desse fim estará justificado. É por causa do poder que os homens se matam. Portanto, se ele – o poder – é condição da política, também o é da politicagem. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

RESENHA DO TEXTO: "PARA QUE SERVEM AS ESCOLAS?"


____________________________________________________________

YOUNG, Michael. Para que servem as escolas? In: Educ.soc., Campinas, vol. 28, n. 101, p. 1287-1302, ser/dez. 2007.
____________________________________________________________

FÁBIO COIMBRA
____________________________________________________________

Graduando em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão
____________________________________________________________________________


Definir o papel da escola em meio à complexidade do mundo moderno e contemporâneo certamente não é uma das mais fáceis tarefas. É um ato que, para sua melhor efetivação, deve levar em conta múltiplos fatores que vão, por exemplo, do econômico (que obviamente exerce muita influencia sobre a educação) ao cultural (entendendo-se aqui por elemento cultural a totalidade das práticas, costumes, atos, ritos, símbolos e valores que norteiam a vida de um povo, uma comunidade ou um grupo).
Para definir o papel da escola é preciso também definir o que se entende por escola. Se partirmos do princípio de que a escola é o lugar onde melhor se efetiva a educação, precisaremos perguntar o que é a educação e qual a sua finalidade. A resposta a essa questão toca em outro assunto, a saber, quem financia a educação e quais interesses estão em jogo, assunto esse que, à sua vez, traz a baila dois universos paralelos: o político e o econômico. Nesse contexto, já estamos diante de determinados conflitos, os quais, nesse sentido, são frutos das brigas de interesses, muitas vezes, particulares. Portanto, não é fácil definir o papel da escola, o que não significa dizer que isso é impossível, e nem que não haja quem por esse caminho tenha enveredado.
Michael Young é um dos pensadores que quis dar conta dessa problemática. Assim, ao questionar “para que servem as escolas?”, ousou responder: “para capacitar jovens para adquirir o conhecimento que, para a maioria deles, não pode ser adquirido em casa ou em sua comunidade [...]”. (p. 1294). Assim sendo, já temos a resposta do autor à pergunta suscitada. O passo seguinte de Young consistirá em mostrar a consistência de sua resposta. Para isso ele estrutura o texto em oito tópicos, que aqui vão ser chamados de partes.
Na primeira parte (Os críticos de escolas nos anos 1970 e 1980), Young busca mostrar como a esquerda (ao que parece, política) e a sociologia da educação estavam próximas uma da outra em razão de apresentarem visões negativas à questão da escolaridade. Segundo ele, “a idéia de que o papel primordial das escolas na sociedade capitalista era o de ensinar à classe trabalhadora qual era o seu lugar era amplamente aceita no campo da sociologia da educação”. (p. 1298). Por esse ângulo, já se torna passível de percepção a influência da teoria marxista no meio educacional. Essa influência marxista vai ser retomada na segunda parte do texto (A Virada pós-estruturalista nas ciências sociais). Porem, nesse contexto, segundo o autor, essas influencias “perderam sua credibilidade”. (p. 1290). Ao tratar desse assunto, Young deixa a impressão de que essa perda resultara do fato de que a teoria marxista teria faltado ao prever o fim do capitalismo (o que até hoje não ocorrera). “[...] essas criticas [oriundas do marxismo] tinham muito pouco a dizer sobre escolas, exceto para outros cientistas sociais”. (p. 1290).
Na terceira parte (Respostas governamentais), o autor mostra a tensão que se gerara entre o setor político e o educacional. Por um lado, os neoliberais defendiam a idéia de que “a economia deveria ser deixada para o mercado e que os governos deveriam desistir de tentar ter políticas econômicas ou industriais”. (p. 1290). Acatando essas idéias neoliberais, “os governos dedicavam seus esforços a reformar o sistema educacional ou aprimorar o ‘capital humano’”. De acordo com o autor, isso acarretou muitas implicações para a escola. “Uma delas foi a tentativa de adequar os resultados da escola, ao que é tido como as ‘necessidades da economia’”. (p. 1290). Outra consequência que se pode destacar, diz respeito ao fato da “transformação da educação em si num mercado, no qual as escolas são obrigadas a competir por alunos e fundos”. (p. 1291).
Na quarta parte (Novos objetivos para velhas coisas), Young procura reafirmar os propósitos das escolas. Para tanto, ele parte de críticas feitas por ele mesmo a certos pensadores, como, por exemplo, Foucault quando de suas argumentações em Vigiar e punir. Nesse sentido, ele vai dizer que “Foucault [...] quando coloca as escolas na mesma categoria que as prisões, asilos e hospitais, ele deixa de mencionar a historia da luta política pela escolaridade para todos e o que é especifico das escolas”. (p. 1292). Desse modo, na quinta parte (As lutas pelos propósitos das escolas), o autor ressalta que “essas lutas podem ser vistas em torno de duas tensões. “A primeira é entre os objetivos da emancipação e da dominação. [...] A segunda é entre as perguntas ‘quem recebe a escolaridade?’ e ‘o que o indivíduo recebe?’”. (p. 1292). Na primeira, o autor pretende mostrar que a escola pode ser usada para a aquisição de diferentes objetivos. Assim, ela pode promover tanto o processo de emancipação, quanto o de dominação. Nessa quinta parte, o autor aborda ainda a idéia de educação enquanto transmissão de conhecimentos. Segundo ele, essa idéia “tem sido duramente criticada por pesquisadores da área da educação, especialmente sociólogos educacionais”. (p. 1293). De acordo com o autor, “A idéia de que a escola é primordialmente um agente de transmissão cultural ou de conhecimento leva-nos a pergunta: ‘Que conhecimento?’. E em particular questiona que tipo de conhecimento é responsabilidade da escola transmitir”. (p. 1293).
Young argumenta que esses tipos de conhecimentos são diferenciados, sendo que “uns podem ser mais valiosos que outros”. (p. 1294). Nesse contexto, ele distingue conhecimento escolar de conhecimento não escolar. É justamente nesse ponto que ele dá (como já foi mostrado) sua resposta à pergunta “Para que servem as escolas?”, ao que ele responde dizendo (em outras palavras) que servem para fazer com que o aluno aprenda aquilo que em casa, ou na rodada de amigos, ou em outros lugares ele não pode aprender.
Na sexta parte (Que conhecimento), o autor aborda duas idéias de conhecimento: “o conhecimento dos poderosos” e o “conhecimento poderoso”. O primeiro “é definido por quem detém o conhecimento”. (p. 1294). Já o conhecimento poderoso “é um conceito que se refere ao que o conhecimento pode fazer, como, por exemplo, fornecer explicações confiáveis ou novas formas de pensar a respeito do mundo”. (p. 1294). De acordo com o autor, “é isso que os pais esperam, mesmo que às vezes inconscientemente”. (p. 1294).
Na sétima parte (Diferenciação do conhecimento e conhecimento escolar), Young argumenta que “as questões sobre o conhecimento para professores e pesquisadores educacionais, não são primordialmente questões filosóficas, como ‘o que conhecemos’, ou ‘como conhecemos’”. (p. 1295). De acordo com ele, o que está em jogo ai é a diferenciação entre conhecimento escolar e conhecimento não escolar, o que faz com que a questão referente ao conhecimento, neste aspecto, seja uma questão sociológica e pedagógica, e não filosófica.
Young ressalta que por traz dessa diferenciação, há outra que se destaca entre dois tipos específicos de conhecimento, que ele vai chamar de “conhecimento dependente do contexto” e “conhecimento independente do contexto”. O primeiro seria um conhecimento mais prático na medida em que sua aquisição e seu desenvolvimento estariam ligados à resolução de “problemas específicos do cotidiano”. (p. 1296). Já o segundo, também chamado de teórico, “é desenvolvido para fornecer generalizações, e busca a universalidade”. (p. 1296). O autor argumenta que esse é o conhecimento que se adquire na escola, ao qual ele também chama de conhecimento poderoso.
Finalmente, na oitava, e ultima parte, (Conceituando o conhecimento escolar), Young diz que “a tentativa mais aceita de se conceituar o conhecimento escolar é a desenvolvida pelo sociólogo inglês Basil Bernstein”. (p. 1297). Dados os limites deste escrito, não aprofundaremos aqui a reflexão de Young sobre Bernstein. Entretanto, reconhecemos a grandeza e relevância do seu pensamento para a área da educação.
Após mostrar como Young resolve a questão “Para que servem as escolas?”, compete-nos aqui – para fins de contribuição ao debate – prestar algumas considerações sobre o trabalho do autor.
Em princípio, podemos dizer que suas reflexões são relevantes na medida em que proporcionam um entendimento paralelo de outras questões que são tocadas pelo problema em discussão. Um detalhe bem interessante é quando o autor, ao longo de sua argumentação, procura mostrar o que compete à Filosofia e o que compete à Sociologia em termos de educação. Da mesma forma consideramos plausível a distinção que ele faz entre conhecimento escolar e conhecimento não escolar.
Diante de tudo isso (que são aspectos positivos do pensamento de Young), há também outros que precisam ser – por ele – mais bem explicitados como, por exemplo, quando ele diz (na sexta parte) que “aqueles com maior poder na sociedade são aqueles que têm acesso a certos tipos de conhecimentos”. (p. 1294). Ao argumentar dessa forma, o autor parece esquecer o poder da influência nas relações sociais vigentes na sociedade capitalista contemporânea. Ao final da sétima parte, Young diz que “as escolas obtém mais sucesso com alguns alunos que com outros”. (p. 1296), o que também precisa ser mais bem esclarecido ao não prestar considerações mais consistentes sobre esses “melhores”.
Em suma, devemos dizer que esses pontos críticos não ofuscam, de modo nenhum, a grandeza do pensamento do autor.





domingo, 8 de abril de 2012

A RELAÇÃO ENTRE ESTADO, INSTITUIÇÃO ESCOLAR E ENSINO DE FILOSOFIA



A relação entre o Estado e a escola se dá por meio da LBD 9394/96 na medida em que é ela que disciplina a educação escolar a partir de princípios constitucionais disposto na Constituição Federal de 1988, como, por exemplo, o Artigo 208, dentre outros. Nessa perspectiva, a escola seria – ou é – o instrumento por meio do qual o Estado presta serviço à sociedade. A filosofia se relaciona a esse quadro na medida em que contribui para a construção de uma sociedade melhor (ou, digamos diferenciada) que não perca de vista a sua dimensão humana e, principalmente, seus valores históricos e culturais que constituem a sua razão de ser e que foram construído gradativamente ao longo dos tempos.
Em suma, pode-se dizer que a relação Estado-Instituição escolar-Ensino de Filosofia é uma relação de mútua contribuição e interferência recíproca. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ASPECTOS DISTINTIVOS DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA



Varias são as razões pelas quais a filosofia contemporânea se distingue das anteriores. Para fins de esclarecimentos [bem como para a obtenção de um ponto de partida], pode-se, em princípio, estabelecer uma definição, um conceito, ou, talvez, apenas uma noção do que venha a ser esse período.
Por história da filosofia contemporânea deve-se se entender a rejeição a modelos pressupostos de pesquisa filosófica ancorados em quatro grandes correntes, a saber, o hegelianismo, o positivismo, o naturalismo e o escolasticismo.  É a partir dessa rejeição a esses modelos de pesquisa que surgir uma crise da filosofia enquanto discurso teórico [a filosofia contemporânea é a crise da filosofia enquanto discurso teórico]. Em meio a esse cenário de crise, dar-se, então, o surgimento de quatro grandes tendências, quais sejam: o historicismo de Dilthey [voltado ao fortalecimento das ciências do espírito. É importante assinalar também que o historicismo de Dilthey se vale do conceito hegeliano de espírito objetivo. Não obstante, tem também a pretensão de retirar da história a roupagem teológica que lhe fora dada pela filosofia da história de Hegel]; a filosofia analítica de Frege; a hermenêutica fenomenológica de Heidegger [que surge no sentido de levantar questões sobre o ser] e a fenomenologia de Hussel [que é fruto de um processo maior que se dá, ou se inicia através de um retorno a Kant].

ver a esse respeito, Benedito Nunes, texto "Filosofia Contemporânea".

A MELHOR AULA



Obviamente, a melhor aula é aquele na qual o aprendizado é realizado. Essa realização – à sua vez – será melhor ainda quando se der por meio de métodos que não sejam [para os alunos] motivo de peso e [nem para o professor] motivo de obrigação. Seria fundamental que o professor adquirisse o habito de entrar no mundo do aluno. Igualmente relevante seria a aquisição e a posse da chave que dá acesso a esse mundo. Daí ser necessário que as atividades contemplem – dentre outras coisas – o mundo que o aluno vive no presente, a sua realidade em suas complexidades. Desse modo, seria fundamental não perder de vista a dimensão do mundo atual marcado pelos mais sofisticados avanços técnicos.

quick search