sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SUJEITO E MODERNIDADE: UMA RELAÇÃO EM CONSTANTE TENSÃO




RESUMO

O presente trabalho discute a relação entre sujeito e modernidade a partir da tensão que há entre ambos. Nesse sentido, a pesquisa demonstra que essa tensão se origina, sobretudo, a partir dos ideais sobre os quais a modernidade veio a lume. Esses são os ideais de beleza, pureza, ordem, dentre outros. A partir desses ideais, a modernidade se transforma num obstáculo para a aquisição de algo que naturalmente faz parte da constituição do ser humana, a saber, a liberdade. Buscar-se-á demonstrar que é dessa escassez de liberdade que resulta o mal estar do sujeito moderno. Com a busca da liberdade – que lhe é tolhida gradativamente –, o sujeito entre em conflito com alguns princípios modernos, buscando, de alguma forma, romper com os padrões que, pela modernidade, foram erigidos. A restrição da liberdade do sujeito se dá, especificamente, pelo fato de que a modernidade busca, a ferro e fogo, fazer valer a ordem, que é um dos seus projetos fundamentais.

Palavras-chaves: Modernidade – Sujeito – Mal-estar – Liberdade – Ordem.

ABSTRACT


This article discusses the relationship between subject and modernity from the tension that lies between them. In this sense, the research shows that this tension originates mainly from the ideals on which modernity came to light. These are the ideals of beauty, purity, order, among others. From these ideals, modernity becomes a hindrance to the acquisition of something which of course is part of the constitution of human being, namely, freedom. Search will show that it is this lack of freedom that comes the malaise of the modern subject. With the search for freedom - it is dwarfed gradually - the subject conflict with some modern principles, seeking somehow to break the patterns that, by modernity, were erected. The restriction of freedom of the subject is given specifically by the fact that modernity seeks to fire and sword, to enforce the order, which is one of its key projects.



Keywords: Modernity - Subject - Malaise - Freedom - Order.

  
1.  INTRODUÇÃO

Certamente, falar do homem no contexto da modernidade implica, antes de tudo, reconhecer o que essa modernidade, então, falada, representou para ele, quais as conseqüências que ela lhe trousse e de que maneira ela alterou o cenário da vida cotidiana. Obviamente, o número daqueles que se propuseram a entender a modernidade, ou – diga-se de passagem – o sujeito moderno foi bem amplo. Como exemplo pode-se citar o ilustre Sigmund Freud, quando esse analisa a civilização, que – em algum aspecto – também é sinônimo de modernidade. Alem de Freud, destacam-se também nomes renomados, tais como o poeta e filósofo francês Charles Baudelaire, além de Benjamim, Bauman, Berman, Poe, dentre outros. Sendo assim, o presente trabalho – que visa discorrer sobre o sujeito no contexto da era moderna – tem como propósito refletir sobre as problemáticas que advindas da modernidade recaíram sobre o sujeito obrigando-o a uma série de eventos desagradáveis, tais como, por exemplo, a falta, ou restrição considerada, de sua liberdade em vista da ordem que se deu em excesso.


2.  IMPLICÂNCIAS DA MODERNIDADE PARA O SUJEITO

Em princípio, poder-se-ia dizer que com a modernidade o sujeito já não tem mais como fixar lugares para a sua estadia, dado que o cenário moderno é marcado, sobretudo, por ser um ambiente inconstante onde tudo muda. Essa ausência de capacidade para se fixar em um determinado lugar constitui um dos traços característicos do sujeito moderno. Esse homem que não deixa rastro, e que persegue objetivos específicos, lança-se em busca da felicidade, embora não tenha a plena certeza de que a alcançará. Para isso ele precisará especialmente de liberdade.
Na modernidade, o sujeito é sempre levado a abrir mão de alguma coisa se ele quiser, de fato, atingir outras. Como bem diz Bauman: “você ganha uma coisa, mas, habitualmente perde em troca outra coisa”. [1] Ou seja, na modernidade o sujeito se encontra sempre em estado de tensão, no sentido de não possuir nenhuma certeza de que aquilo que no momento presente lhe pertence, venha a lhe pertencer no momento futuro.
Dado esse caráter da modernidade, tem-se, então, os problemas que, a partir daí, passam a incidir sobre o sujeito. Em sua maioria, esses problemas – como lembra Bauman – vão resultar do excesso de ordem que constantemente é imposta sobre o sujeito da era moderna. A ordem passa a ser, então, um dos elementos centrais sobre o qual a modernidade se debruçará. Essa ordem seria, então, a tentativa de evitar um retorno ao já ultrapassado, a tradição. Desse modo, insistir em retornar significa rebelar-se contra a ordem estabelecida.
Além da ordem, outros ideais tais como, o ideal de beleza e de pureza passou a fazer parte da modernidade como sendo sua característica intrínseca. Ou seja, ordem, beleza e pureza constituem o tripé, ou as bases fundamentais sobres as quais a modernidade se erigiu. Entretanto, é preciso salientar que esses três elementos, embora tenham sido idealizados com o objetivo de harmonizar o ambiente moderno, eles não fazem parte das práticas do homem moderno em caráter linear. Nesse sentido, Bauman refere que

Nada predispõe “naturalmente” os seres humanos a procurar ou preservar a beleza, conservar-se limpo e observar a rotina chamada ordem. (se eles parecem, aqui e ali, apresentar tal “instinto” deve ser uma inclinação criada e adquirida, ensinada, o sinal mais certo de uma civilização em atividade. [...] Os seres humanos precisam ser obrigados a respeitar e apreciar a harmonia, a limpeza e a ordem. Sua liberdade de agir sobre seus próprios impulsos deve ser preparada. A coerção é dolorosa: a defesa contra o sofrimento gera seus próprios sofrimentos. [2]

Na modernidade, portanto, as ações do sujeito em termos de comportamento parece ser algo pré-determinado. Daí a dedução de que as atitudes decorrentes da harmonia entre a ordem, a beleza e a pureza aparecem resultar diretamente de um processo preparatório para tais ações harmoniosas. Essas atitudes seriam assim os elementos por meio dos quais se tornaria perceptível os traços da modernidade, que também pode ser chamada de civilização. A obediência à ordem, ou a capacidade dos indivíduos para essa ação, passa a ser na modernidade um meio relevante para a construção da vida civilizada. A ordem seria, desse modo, uma via de anulação das coisas que no sujeito podem colocar em perigo a harmonia no mundo moderno como, por exemplo, os próprios instintos que, naturalmente, pulsam no sujeito de modo que ele muitas vezes acaba por ser vencido por essa força que lhe é natural, que vibra no seu ser, mas que ele não sabe como lidar com ela. De açodo com Bauman, “’A civilização se constrói sobre uma renúncia ao extinto’. Especialmente – assim Freud nos diz – a civilização [...] ‘impõe grandes sacrifícios’ à sexualidade e agressividade do homem”.[3] Nesse sentido, é fácil perceber que não há civilização sem que o indivíduo se desfaça – senão de todas – pelo menos de algumas de suas paixões naturais, as quais se chama extinto. Em geral, essa terminologia (extinto) se usa somente para se referir aos animais irracionais. Entretanto, é preciso ressaltar que o fato do homem ser racional, isso não faz com que ele deixe de ser um animal. Na verdade ele pode ser considerado um animal mais evoluído do que os outros.
Uma observação precisa da vida humana, bem como uma observação detalhada de muitos comportamentos do homem, levará o observador a concluir que entre ambos (o animal irracional e o animal racional) há uma série de comportamentos semelhantes. Isso indica, por sua vez, que ambos não estão muito longe um do outro em termos de ação. Sendo assim, o que a modernidade quer é suprimir no sujeito todos os resquícios da irracionalidade, ou da animalidade que nele ainda se fazem presente e que podem de algum modo provocar a ruína da ordem dada numa determinada civilização, qual seja, a moderna. Por isso, ela obriga o sujeito à renúncia dos seus instintos. Essa renuncia é, portanto, a condição fundamental de toda a civilização. Como o instinto é diverso, além do que é algo natural no homem, então, nesse sentido é que é afirmado que a civilização vai impor grandes sacrifícios à sexualidade humana. O que se pode perceber com base no que fora dito é que com a modernidade há toda uma repressão que incide sobre o sujeito, de modo que ele se vê o tempo todo pressionado a renunciar por obrigação a algo que naturalmente ele não renunciaria. Essa pressão que recai sobre o sujeito tira-lhe parte de sua liberdade. Nesse sentido, Bauman diz que “O anseio de liberdade, portanto, é dirigido contra formas e exigências particulares da civilização ou contra a civilização como num todo”. [4] O sujeito se volta, então, contra a modernidade, ou civilização, e trava com ela uma grande batalha. A razão disso é precisamente a busca da liberdade, o alívio para o cansaço que a vida civilizada lhe ocasiona. O sujeito busca muitas vezes quebrar com o padrão moderno para poder se libertar de uma série de coisas menores que lhes perturbam bastante. Sendo assim, é possível também dizer que o sujeito moderno é aquele que muito raramente goza de plena paz, tanto consigo, quanto com os outros. Uma coisa importante que aqui pode ser ressaltada diz respeito à saúde – tanto física, quanto psíquica – do sujeito moderno. Nesse aspecto, pode-se dizer que ele é um ser frágil, inconstante e inseguro. É um ser com muita tendência a se tornar um depressivo, um neurótico, ou outra coisa qualquer. Tudo isso contribui, indubitavelmente, para que o mal-estar se instale no homem. Todos esses mal-estares, cabe lembra, resultam, dentre outras coisas, do excesso de ordem, tal como já fora tratado. Para corroborar o que fora dito, Bauman refere que

Dessa ordem que era o orgulho da modernidade e a pedra angular de todas as suas outras realizações [...] Freud falou em termos de “compulsão”, “regulação”, “supressão” ou “renuncia fechada”. Esses mal-estares que eram a marca registrada da modernidade resultaram do “excesso de ordem” e sua inseparável companheira – a escassez de liberdade.[5]

 Daí é que se pode falar de um mal-estar do homem na era moderna, na era da civilização. É possível dizer que a tão desejada ordem, de algum modo, acabou contribuindo para que se estabelecesse um novo caos. Esse, por sua vez, não se dá a perceber de forma direta, pois é como que invisível ao olho comum. Essa desordem é aquela que, regra geral, se aloja na interioridade do sujeito, na qual provoca grandes ruínas. Muitas vezes, a única maneira de perceber essa desordem interna do sujeito moderno se dá por meio da observação, ou análise de seus diversos tipos de comportamento. Sendo assim, pode-se dizer que da vida civilizada pode até vim os prazeres e demais comodidades que tornam fascinantes e atrativas a vida moderna, como de fato vem, mas atrelado a tudo isso, vem também o sofrimento, a decepção, a tristeza, o lamento, a angústia e uma série de coisas que nem todos podem ver, embora quase todos possam experimentar.  Nesse sentido Bauman diz que “Os prazeres da vida civilizada, e Freud insiste nisso, vem num pacote fechado com os sofrimentos, a satisfação com o mal-estar, a submissão com a rebelião”. [6] Na civilização – pode-se dizer – os contrários sempre estão em harmonia. Talvez essa seja a harmonia mais perfeita de toda a civilização.
A busca de prazer parece ser algo que a modernidade tomou dos sujeitos para si, para depois dar a esses mesmo sujeitos sob certas condições. Entretanto, a busca do prazer tem como dependência básica a liberdade do próprio sujeito. Desse modo, a busca de prazeres se torna uma espécie de controvérsia na modernidade, dado que essa busca requer algo que a própria modernidade, sem cessar, tolhe continuamente no sujeito. Parece que a única maneira de fugir dessas implicâncias da modernidade é rompendo com ela. O rompimento, nesse sentido, seria um meio do indivíduo se libertar do fardo que pesa nos seus ombros e se tornar, portanto, mais livre. Nessa perspectiva, Bauman alude que

Dentro da estrutura de uma civilização concentrada na segurança, mais liberdade significa menos mal-estar. Dentro da estrutura de uma civilização que escolheu limitar a liberdade em nome da segurança, mais ordem significa mais mal estar. [7]

Fica claro, portanto, que liberdade e ordem passam a ser dois contrastes na modernidade de tal modo que dado o advento de um tem-se necessariamente o despojamento do outro. Com a liberdade alcançada, o sujeito pode (não necessariamente) voltar-se para a procura do prazer, entretanto não da maneira como a modernidade quer, mas conforme a sua própria vontade lhe aprouver.  Isso porque naturalmente o indivíduo distende com muita freqüência para aquilo que na vida é prazeroso. Com a tendência para o prazer o indivíduo se afasta da aflição, que muitas vezes origina-se do excesso de ordem. Entretanto, a cautela e a prudência são coisas que – no sujeito que se volta para a procura do prazer – não podem faltar, de modo algum. Cumpre aqui ressaltar que do outro lado do prazer está a dor. Essa dor que se oculta sem deixar de existir, é justamente aquilo que a modernidade vai esconder do sujeito. E esse é, sem dúvida, um grande problema que decorre da modernidade e que se coloca sobre o indivíduo dito moderno.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa – que teve como pretensão refletir sobre o sujeito moderno – buscou demonstrar como e de que forma a modernidade provocou grandes transformações no cenário da vida cotidiana. Demonstrou-se que – dado o advento da era moderna – uma série de eventos incidiram sobre o sujeito comprometendo até mesmo algo de natural e intrínseco a esses mesmos sujeitos como, por exemplo, a sua liberdade, perdida parcialmente. Essa perda de liberdade se deu, sobretudo, pelo fato de que a modernidade, voltada para a ordem, procurou eliminar tudo o que pudesse ser uma forma de ameaça à desejada ordem. Nesse sentido, percebeu-se que é desse excesso de ordem projetado pela modernidade que resulta alguns dos mal-estares do sujeito, e que modifica consideravelmente o seu comportamento.
Percebeu-se ainda que na modernidade, uma das grandes dificuldades do sujeito diz respeito ao fato dele não se fixar em um determinado lugar e por muito tempo. Isso porque na modernidade, tudo é feito para ser derrubado num momento posterior à sua construção. É dessa forma que a vida humana na era moderna vai se assemelhar ao estilo de vida nômade. Na modernidade não há, fixação definitiva do sujeito em um determinado lugar. Tudo é temporário.

REFERÊNCIA

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Trad. Mauro Gama, Claudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1998.

 

[1] BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Trad. Mauro Gama, Claudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1998. P. 7.
[2] Id. Ibidem, P. 8.
[3] Id. Ibidem, P. 8
[4] Id. Ibidem, P. 8
[5] Id. Ibidem, P.8-9.
[6] Id. Ibidem, P. 8
[7] Id. Ibidem, P. 9


O ROMANCE E A INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA NO CONTEXTO DA MODERNIDADE



De acordo com Gagnebin, “no momento em que a experiência coletiva se perde, em que a tradição comum já não oferece nenhuma base segura, outras formas de narrativa tornam-se predominantes. Benjamin cita o romance e a informação jornalística”.[1] Essa ultima é entendida aqui como sendo a forma verdadeiramente corrosiva das características essenciais da narrativa tradicional. [2]
De acordo com Benjamin, “a origem do romance é o individuo isolado [...]”. [3] Desse ponto de vista, pode-se dizer que a característica principal do romance é a sua preocupação com o individual, enquanto que na narrativa o que se considera é o coletivo. Enquanto o romance descreve a vida de um indivíduo isolado, a narrativa busca descrever a vida e as experiências das comunidades, ou dos indivíduos em grupo. Entretanto, é o romance que sai em vantagem. Sobre isso Benjamin alude que “o primeiro indicio da evolução que vai culminar na morte da narrativa é o surgimento do romance no início do período moderno” [4], e prossegue: “o que separa o romance da narrativa é que ele está essencialmente vinculado ao livro” [5]. O livro se torna fundamental porque na modernidade ele passa a ser o substituto da arte da escuta. As razões disso, evidentemente, decorrem do estilo de vida que a modernidade impôs para o sujeito, e que, por si mesma, diferencia-se do estilo de vida tradicional. Primeiramente, na tradição os indivíduos dispunham de tempo para sentar-se e ouvir as histórias e a sabedoria dos anciões. Na modernidade os indivíduos já não dispõem de tempo necessário para o está juntos para ouvir. A partir dessa dispersão dos indivíduos é que o livro passa a ter uma relevância fundamental para o progresso do romance. Cumpre ressaltar que esse processo de evolução do romance teve como matriz prévia o surgimento da imprensa. Nesse aspecto Benjamin referencia o engenho de Gutemberg. Segundo ele “a difusão do romance só se torna possível com a invenção da imprensa”. [6] O triunfo do romance, obviamente, não teria alcançado êxito se fatores precedentes não tivessem contribuído para tanto.
Com a modernidade – que provocou uma aceleração progressiva no ritmo de vida dos indivíduos, de tal modo que a preferência pelo “breve” se tornara uma opção inevitável – a informação jornalística também ganhara espaço nesse novo mundo, marcado pelo imediatismo. No sentido de que a informação jornalística se volta para o imediato, Benjamin refere,
O saber que vem de longe encontra hoje menos ouvinte que a informação sobre acontecimentos próximos. O saber que vinha de longe – do longe espacial das terras estranhas, ou do longe temporal contido na tradição –, dispunha de uma autoridade que era válida mesmo que não fosse controlável pela experiência. Mas a informação aspira a uma verificação imediata. [...]. Muitas vezes não é mais exata que os relatos antigos. [7]
No mundo moderno, portanto, não há mais lugar para os saberes tradicionais, principalmente, pela razão de que as experiências da modernidade vão se dá a partir de elementos que não fazem parte da tradição, ou que se quer a tradição conhecera, como por exemplo, a televisão, o jornal, o cinema, o rádio, etc. Devido à diversidade de acontecimentos do mundo moderno, a informação precisa ser rápida e descontínua. Desse modo, a informação nunca oferece o todo, mas apenas parte de um todo que, por sua extensão, não pode ser dado na íntegra. Uma demonstração da descontinuidade da informação é apontada por Benjamin quando ele diz que “a informação só tem valor no momento em que é nova”. [8] É como se a informação fosse descartável de modo a perder a sua validez dado o seu uso. Como para a modernidade é isso que importa, logo, isso também se traduz em crise da narrativa. Para citar Benjamin: “se a arte da narrativa é hoje rara, a difusão da informação é decisivamente responsável por esse declínio”. [9]


[1] Ibid., p. 14.
[2] Cumpre ressaltar que o que se percebe também nesse contexto é um processo de substituição do velho pelo novo. A informação e o romance, nessa perspectiva, são dois elementos da modernidade a partir dos quais Benjamim vai tentar entender como se dá então a crise da narrativa. Dessas duas prerrogativas da modernidade, a que mais se contrasta com a narrativa é a informação jornalística. Esse contraste diz respeito ao fato de que enquanto a narrativa é longa e ininterrupta, a informação, por sua vez, é curta e descontínua.
[3] Ibid., p. 201.
[4] Ibid., p. 201.
[5] Ibid., p. 201.
[6] BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. Ed. Trad. Sergio Paulo Rounnet. São Paulo: Brasiliense, 1987. P. 201.
[7] Idem, p. 202-203.
[8] Ibid., p. 204.
[9] Ibid., p. 202.

MEMÓRIA E NARRATIVA: A RELAÇÃO ENTRE EXPERIÊNCIA E TRANSMISSÃO



Dado que a narrativa pressupõe a memória, de forma incondicional, e que esta – no contexto da modernidade – passa por um processo de atrofiação, devido ao processo de aceleração que caracteriza o progresso e os acontecimentos da modernidade, onde tudo o que é feito, é feito para ser deixado de lado e esquecido no momento seguinte em razão de novos feitos que vão sendo realizados, um problema vem alume: como narrar na modernidade e para quem narrar nessa sociedade onde a transformação rápida das coisas é a sua característica primordial e a memória já não comporta tanta importância considerando que o seu papel fundamental é o de gravar, ou registrar, os acontecimentos culturais de uma geração de uma dada época histórica para – num momento posterior – serem transmitidas às outras gerações que naturalmente vão aparecendo?
Partindo do principio de que a narrativa pressupõe uma forma de ligação com a memória, de modo que só se pode narrar àquilo que previamente fora armazenado na mesma, logo, deve se considerar a relevância que essa (memória) possui para o narrador. Ela é como que o depósito das coisas vividas e que agora passam a ser guardadas quando já não mais é possível viver na prática, mas somente através da imaginação por meio de um retorno que se dá pela arte de contar. Em outros termos, pode-se dizer que a memória é como que a caixa preta do sujeito, ou de uma determinada cultura, onde são arquivados as experiências e acontecimentos em geral.
Dois conceitos-chaves fundamentais para o entendimento do que, de fato, constitui a narrativa são: experiência e transmissão. Aqui cumpre ressaltar que só se pode falar de memória se houver o processo de transmissão das experiências que se sucedem em suas respectivas épocas. É por meio desse processo de transmissão que os homens dão vida ao passado distante. Distante e próximo, o passado (enquanto acontecimentos já concretizados) é algo que sobrevive de forma contínua na medida em que é armazenado na memória dos indivíduos perpassando de geração em geração para se manter para sempre. Quanto a isso, Benjamin refere que “a experiência que passa de pessoa para pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores[1]. Esse processo de transmissão, responsável pela continuidade de idéias, costumes, gestos, atos etc. de uma determinada cultura não somente passa a ter uma importância significativa na arte de narrar, como também representa a própria possibilidade desta vir a ser.
Para a continuidade da experiência, a relação entre a transmissão e a experiência vem a lume como sendo uma relação indissociável. Obviamente, as experiências só podem existir por muito tempo se elas forem continuadas. Entretanto, para isso, elas precisam ser transmitidas. Nesse sentido, Benjamin chama a atenção para um dos problemas que essa relação entre experiência e transmissão vai encontrar no contexto da modernidade. Segundo ele “são cada vez mais rara as pessoas que sabem narrar devidamente”. [2] Uma das conseqüências que disso decorre é o risco de extinção que ameaça a arte de narrar. Quanto a isso, percebe-se, portanto, que na modernidade a relação da experiência com a narrativa passa a ser marcada por grandes crises e tensões constantes, uma vez que a evolução da modernidade se dá em caráter linear.
Cumpre lembrar que a narração pode ser feita de várias maneiras, o que evidentemente, significa que ela não se limita apenas em falar o que aconteceu, o que está posto, mas transcendendo isso avança sempre um pouco mais na medida em que se vale de outras ferramentas tais como os gestos corporais, conforme se verá mais adiante. Não faz parte da preocupação do narrador detalhar os fatos e acontecimentos, pois, como é sabido, isso é competência exclusiva do historiador. Entretanto, tudo o que ele (narrador) quer é conhecer o que se passa nas gerações. Para isso, ele não precisar necessariamente sair da sua e adentrar nas outras em termos concretos, mas, antes de tudo ser um conhecedor da história da sua época com suas respectivas tradições. Sendo assim, Benjamin diz que

[...] existem dois grupos que se interpenetram de múltiplas maneiras. A figura do narrador só se torna plenamente tangível se termos presente esses dois grupos. “Quem viaja tem muito que contar” diz o povo, e com isso imagina o narrador como alguém que vem de longe. Mas também escutamos com prazer o homem que ganhou honestamente sua vida sem sair do seu país e que conhece sua história e tradições. [3]

  O conceito de narrador apresentado por Benjamin parte do princípio de que o narrador não é somente aquele que se desloca de lugar a lugar a fim de conhecer o que nessas localidades se passa em termos de cultura e tradição, mas, também aquele indivíduo que conhece, ou procura conhecer melhor suas raízes históricas, seu passado, ou seja, um passado comum aos seus antecedentes.
No ato de narrar também está implícita a gesticulação, isto é, usa-se não somente a fala, mas também o corpo, o que, certamente, acompanhava a narrativa na prática do trabalho artesão[4], conforme se verá. Nesse sentido, a narração também se dá com os olhos, com as mãos, gestos e demais coisas ligadas ao corpo concreto. Ela tem uma temporalidade comum a diversos indivíduos de uma mesma cultura, ou grupo. Desse modo, ela prevê o coletivo, e as próprias experiências que passam pela narração também são experiências coletivas, comuns dentro de uma determinada cultura. Em outros termos, a narrativa também pressupõe experiências coletivas. Se isso, entretanto, é uma característica da narrativa no âmbito da tradição, essa característica vai ser suprimida no contexto da modernidade, haja vista, nessa (modernidade) haver uma degradação ininterrupta das experiências coletivas, contribuindo assim para o fortalecimento das crises que ameaçam a narrativa. Sem dúvida, uma das razões pela qual esse processo de degradação se viabilizou deveu-se à perda da capacidade dos indivíduos em armazenar coisas nas profundezas da memória. Essa incapacidade também resulta do fato de, na modernidade, o sujeito está o tempo em todo em estado de alerta, o que, obviamente, é uma característica do mundo moderno. Evidentemente, isso decorre do fato do espaço moderno ser marcado por um processo de rapidez onde, sobretudo, já não há lugar para o estar desatento.


[1] BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. Ed. Trad. Sergio Paulo Rounnet. São Paulo: Brasiliense, 1987. P. 198.
[2] Ibid., p. 197.
[3] Ibid., p. 198-199.
[4] “A alma, o olho e a mão estão assim inscritos no mesmo campo. Integrando, eles definem uma prática. Essa pratica deixou de nos ser familiar. O papel da mão no trabalho produtivo tornou-se mais modesto, e o lugar que ela ocupava durante a narração está agora vazio. (Pois a narração, em seu aspecto sensível, não é de modo algum o produto exclusivo da voz. Na verdadeira narração, a mão intervém decisivamente, com seus gestos, aprendidos na experiência do trabalho, que sustenta de cem maneiras o fluxo do que é dito). A antiga coordenação da alma, do olho e da mão [...] é típica do artesão, e é ela que encontramos sempre, onde quer que a arte de narrar seja praticada”. (Cf. BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. Ed. Trad. Sergio Paulo Rounnet. São Paulo: Brasiliense, 1987. P. 220-221)

sábado, 27 de outubro de 2012

O TELESCÓPIO ESPACIAL "HUBBLE"




Telescópio Hubble


O TELESCÓPIO ESPACIAL "HUBBLE"

Prof. Renato Las Casas (29/06/98)

fonte: http://www.observatorio.ufmg.br/hubble.htm

      Imaginado nos anos 40, projetado e construído nos anos 70 e 80 e em funcionamento desde 1990, o Telescópio Espacial "Hubble" está revolucionando a Astronomia, representando nos dias de hoje aquilo que a luneta de Galileo representou no século XVII. O Observatório Astronômico da Serra da Piedade vem acompanhando o trabalho do "Hubble" e nos primeiro sábados de cada mês, dia em que o observatório é aberto ao público, vem sistematicamente apresentando as mais significativas descobertas do "Hubble" no mês anterior.

A MAIS ANTIGA DAS CIÊNCIAS
      Astronomia e Matemática são as mais antigas das ciências e foram fundamentais na formação e no desenvolvimento das civilizações. Foi observando a repetitividade das posições das estrelas no céu, por exemplo, que as mais antigas civilizações descobriram as épocas certas para efetuarem as plantações necessárias às suas manutenções. Na antiguidade o conhecimento astronômico evoluiu de forma a muitas vezes surpreender o estudioso contemporâneo. Em 273 antes de Cristo, por exemplo, um grego de nome Erastóstenes, com base em conhecimentos astronômicos, não apenas sabia que a Terra é esférica como foi capaz de medir a sua circunferência e errou muito pouco nessa medida. Erastóstenes mediu 39.690 km, enquanto hoje sabemos ser esse 40.057 km.

A LUNETA DE GALILEO
      Nunca, entretanto, a Astronomia havia evoluído tanto em tão pouco tempo, quando do advento da luneta de Galileo. Lentes para ajudar idosos ou jovens com problemas nas vistas em suas leituras já eram conhecidas na Europa desde o século XIII. A primeira combinação de lentes em um instrumento "tipo telescópio" foi feita na Holanda, em 1608, destinada à melhor observação de óperas. No ano seguinte Galileo Galilei tendo tomado conhecimento desse invento, modificou-o, tendo para isso de construir ele próprio as suas lentes. Estava assim inventada a sua famosa luneta. Com ela, imediatamente, Galileo descobriu que a Lua tinha montanhas, vales e crateras; que o Sol tinha manchas; que Vênus tinha fases como a Lua; etc. Foi com base em suas descobertas com a sua Luneta que Galileo pode afirmar que os planetas giravam em torno do Sol e não em torno da Terra.

A IMPORTÂNCIA DO HUBBLE
      A grande importância do Telescópio Espacial Hubble (nome dado em homenagem ao astrônomo norte-americano Edwin Powell Hubble que viveu de 1889 a 1953) está no fato de ele estar colocado no espaço, fora da atmosfera da Terra. A luz dos astros para chegar a ele não precisa passar por nossa atmosfera. Toda informação que obtemos de um astro está na luz que vem deles. A atmosfera sempre "some" com parte dessa informação e é por isso que os observatórios astronômicos profissionais sempre são construídos em locais bem altos. Mesmo assim um telescópio "de solo" somente conseguirá momentaneamente uma resolução de imagem superior a 1,0 segundo de arco, isso em condições atmosféricas extremamente adequadas à observação. Com essa resolução somos capazes de ver uma bola de futebol a 51,5 km de distância. A resolução do Hubble é cerca de 10 vezes melhor, ou seja, de 0,1 segundo de arco. Com essa resolução e com a ajuda de  técnicas de reduções fotográficas feitas por computador, podemos distinguir separadamente objetos suficientemente brilhantes a até menos de dois metros de distância um do outro, como os dois faróis de um carro que estivesse na Lua.

COMO É O HUBBLE
      A "potência" de um telescópio está na quantidade de luz que ele pode receber instantaneamente de um objeto. Quanto maior o diâmetro de um telescópio, maior a sua "potência". O Hubble é um telescópio refletor (seu elemento óptico principal é um espelho) com 2,40 metros de diâmetro. Se fosse um telescópio de solo ele seria considerado de porte médio. (Os 2 maiores telescópios do mundo estão no observatório de Mauna Kea no Havaí e têm 10 metros de diâmetro cada. Existem 28 telescópios maiores que o Hubble, espalhados pelo mundo, em funcionamento.) Mais que um telescópio, o Hubble é um verdadeiro observatório espacial, contendo instrumentação necessária a vários tipos de observação. (Contém 3 câmeras, 1 detector astrométrico e 2 espectrógrafos). Além de fotografar os objetos e medir com grande precisão suas posições, o Hubble é capaz de "dissecar" em detalhes a luz que vem deles. O Hubble está em uma órbita baixa, a 600 km da superfície da Terra e gasta apenas 95 minutos para dar uma volta completa em torno de nosso planeta. A energia necessária para o seu funcionamento é coletada por 2 painéis solares de 2,4 x 12,1 metros cada. A sua massa é de 11.600 kg.

O HUBBLE TEVE QUE USAR ÓCULOS
      Colocado em órbita em abril/90, logo em seguida foi detetado um grave defeito em sua óptica. O Hubble não era capaz de focar os objetos, principalmente os mais fracos, com a precisão planejada e desejada. Esse defeito foi "diagnosticado" como aberração esférica; uma distorção óptica causada por uma forma incorreta de seu espelho principal. Perto das bordas a curvatura desse espelho estava menor que deveria por uma quantidade cerca de 1/50 da espessura de um fio de cabelo humano. Trocar o espelho seria algo caro e difícil. A solução adotada foi a de projetar uma óptica corretiva para seus instrumentos. Essa óptica foi instalada com grande sucesso em dezembro/93.

OBJETIVOS
      Os objetivos do Hubble podem ser resumidos como sendo: Investigar corpos celestes pelo estudo de suas composições, características físicas e dinâmica; Observar a estrutura de estrelas e galáxias e estudar suas formação e evolução; Estudar a história e evolução do universo. Para atingir seus objetivos a pesquisa do Hubble é dividida em Galáxias e Aglomerados; Meio Interestelar; Quasares e Núcleos Ativos de Galáxias; Astrofísica Estelar; Populações Estelares e Sistema Solar.


Veja
AS MAIS FASCINANTES IMAGENS OBTIDAS PELO
TELESCÓPIO ESPACIAL HUBBLE

Conexão para
CONHECER A POSIÇÃO ATUAL DO HUBBLE

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

FICHAMENTO DO TEXTO "AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICO-CIENTÍFICAS, ECONÔMICAS E POLÍTICAS"



Bibliografia
LIBÂNEO, José Carlos, OLIVEIRA, J. Ferreira de, TOSCHI, M. Seabra. Educação escolar: políticas, estruturas e organização. São Paulo: Cortez, 2003. – (Coleção Docência em Formação / coordenação Antonio Joaquim Severino, Selma Garrido Pimenta) 

1.     Revolução tecnológica: impactos e perspectivas. P 59.
Inicialmente, buscaremos compreender em que consistem as transformações técnico-científicas. P 59.
Os estudiosos do assunto mencionam essas transformações com diferentes denominações, tais como Terceira revolução industrial, revolução cientifica, revolução informacional, revolução informática, era digital, sociedade técnico-informacional, sociedade do conhecimento ou, simplesmente, revolução tecnológica. P 59.
Boa parte dos autores leva a crer que as mudanças econômicas, sociais, políticas, culturais e educacionais decorrem da aceleração das transformações técnico-científicas. P 59.
A ciência e a técnica estariam assumindo o papel de força produtiva em lugar dos trabalhadores, já que seu uso, cada vez mais intenso, faria crescer a produção e diminuiria significativamente o trabalho humano. P 59.
As transformações técnico-científicas resultam da ação humana concreta, ou seja, de interesses econômicos conflitantes que se manifestam no Estado e no Mercado, pólos complementares do jogo capitalista. P 60.
Essas transformações refletem a diversidade e os contrastes da sociedade e, em decorrência, o empreendimento do capital em controlar e explorar as capacidades materiais e humanas de produção e riqueza. P 60.

Uma tríade revolucionária: a energia termonuclear, a microbiologia e a microeletrônico. P 60
Essa tríade aponta em grande parte, os caminhos do conhecimento e as perspectiva do desenvolvimento da humanidade. P 60.
A revolução tecnológica, ou Terceira revolução industrial é marcada, entre outras, pela energia termonuclear. P 60.
A energia termonuclear é responsável pelos avanços da conquista espacial, alem de constituir importantes fontes de alternativa de energia. Seu uso no sec. XX esteve em grande parte a serviço da moderna técnica de guerra, trazendo graves conseqüências e grandes riscos. P 60-61.

Revoluções científicas e tecnológicas da modernidade. P 61.
(do século XVIII ao século XXI)
PRIMEIRA REVOLUÇÃO CINTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 61.
(segunda metade do século XVIII)
- Nasce na Inglaterra, vinculada ao processo de industrialização, substituição e produção artesanal pela fábrica. P 61
- Caracteriza-se pela evolução da tecnologia aplicada à produção de mercadorias, pela fabricação do ferro como matéria prima, pela invenção do tear e pela substituição da força humana pela energia e maquina a vapor, criando as condições objetivas de passagem de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial. P 61.
SEGUNDA REVOLUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 61
(segunda metade do século XIX)
- Caracteriza-se pelo surgimento do aço, da energia elétrica, do petróleo e da indústria química e pelo desenvolvimento e pelo desenvolvimento dos meios de transportes e comunicação. P 61.
- Intensifica ainda mais a divisão técnica do trabalho, ao mesmo tempo em que promove sua padronização e desqualificação. P 62.
- Faz surgir as escolas industriais e profissionalizantes (escolas técnicas), bem como o operário-padrão. P 62.
TERCEIRA REVOLUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 62.
(segunda metade do século XX)
- Tem por base, sobretudo, a microeletrônica, a cibernética, a tecnotrônica, a microbiologia, a biotecnologia, a engenharia genética, as novas formas de energia, a robótica, a informática, a química fina, a produção de sintéticos, as fibras óticas, os chips. P 62
- Acelera e aperfeiçoa os meios de transporte e as comunicações. P 62.
- torna a gestão e a organização do trabalho mais flexíveis e integradas globalmente. P 62.
A revolução da microbiologia é responsável, também, por grandes avanços e perigos para a vida humana e do planeta. De um lado, o conhecimento genético dos seres vivos permite a produção de plantas e de animais melhorados para o combate à fome e à desnutrição etc. De outro, há o risco de produção artificial de seres vivos. P 63.
A revolução da microeletrônica, por sua vez, é que mais facilmente pode ser sentida e percebida. Estamos rodeados de suas manifestações no cotidiano, mediante: a) objeto de uso pessoal, como agendas eletrônicas, calculadoras, etc.; b) utensílios domésticos, como geladeiras, televisores etc.; c) serviços gerais – terminais bancários de auto-atendimento, jogos eletrônicos etc. [...] essas manifestações, bem como a introdução de permanentes artefatos no cotidiano de vida das pessoas, vem promovendo alterações nas necessidades, nos hábitos, nos costumes, na formação de habilidades cognitivas e até na compreensão da realidade (realidade virtual). P 63.
A vedete dessa revolução é, certamente, o computador. Para muitos ele constitui a maior invenção do século já que seu fascínio, seu aperfeiçoamento e sua utilização não parecem ter limites. P 63.
O computador tem ainda em seu favor o fato de ter se tornado sinônimo de modernização, de eficiência e de aumento da produtividade em um mundo cada vez mais competitivo e globalizado. P 64.
No mundo inteiro, vem decrescendo o trabalho humano na agricultura, em razão do processo de “tecnologização” e da modernidade da produção. [...] por isso, os trabalhadores do campo tornam-se, em grande parte, desnecessários ao processo de produção capitalista, sendo substituídos pelas ciências e pelas técnicas. Assim, enquanto a revolução tecnológica cria as condições para o aumento da produção de alimentos e para a grande diminuição do trabalho manual-assalariado, agrava-se o problema do desemprego no campo, como demonstra o MST. P 64.
No campo da indústria, as modificações do processo de produção são ainda mais lentos. A microeletrônica é responsável pela informatização e automação das fabricas, especialmente da indústria automobilística. P 65.
A microeletrônica permite: a) um aumento da produção em tempo menor; b) a eliminação de postos de trabalho; c) maior flexibilidade e controle do processo de produção e do trabalho; d) o barateamento e a melhoria da qualidade dos produtos e serviços. P 65.
 Provavelmente, os maiores efeitos dessa revolução sejam a crescente eliminação do trabalho humano na produção e nos serviços pelo uso da robótica e da informatização. P 65.
O crescimento do setor de serviço associa-se: a) à transferência da riqueza gerada com ganhos de produtividade na agricultura e na indústria; b) ao aumento do consumo; c) à generalização da competição; d) à terceirização patrocinada pela empresas; e) à diminuição do emprego na agricultura e na indústria; f) ao aumento da demanda por serviços em áreas como lazer e educação. P 66.
No setor de serviço, também vem se alterando o perfil de qualificação dos trabalhadores, em razão das reformulações das atividades e da incorporação das novas tecnologias, formas e técnicas de organização do trabalho. P 66.

Um destaque: a revolução informacional
Essa revolução tem por base um espantoso e contínuo avanço das telecomunicações, dos meios de comunicação e das novas tecnologias da informação. Tais avanços tornam o mundo pequeno d interconectado por vários meios, sugerindo-nos a idéia de que vivemos em uma aldeia global. P 66.
A internet é uma das estrelas principais dessa fase da revolução informacional, pois interliga milhares de computadores, ou melhor, de usuários a um imenso e crescente banco de informações, permitindo-lhes navegar pelo mundo por meios de microcomputadores. P 67.
Com maior ou menor acesso, no entanto, as novas tecnologias da informação e os diferentes meios de comunicação estão presentes nos espaços sociais ou incorporados ao cotidiano de vida das pessoas. P 67
As mídias também vêm sentindo o impacto da revolução da microeletrônica e do processo de informatização. P 67.
De maneira geral, os veículos jornalísticos informatizam-se e distribuem as informações por diferentes meios, criando redes de informação on-line que conseguem juntar texto, som e imagem. P 68.

Caracterizam ainda a revolução informacional
a)     O surgimento de uma linguagem comunicacional (já é comum também a utilização de uma linguagem digital, sobretudo, entre os jovens). P 68.
b)     Os diferentes mecanismos de informação digital, de acesso à informação e de pesquisas e ligações entre matérias sempre atualizadas e qualificadas. P 68.
c)     As novas possibilidades de entretenimento e educação. P 68.
d)     O acúmulo de informações e as infindáveis condições de armazenamentos. P 69.
Uma característica importante da revolução informacional diz respeito ao papel central da informação na sociedade pós-mercantil ou pós-industrial e seu tratamento. P 69.
A revolução informacional está, portanto, na base de uma nova forma de divisão social e de exclusão: de um lado, os que têm o monopólio do pensamento, ou melhor, da informação; de outro, os excluídos desse exercício. P 69.
Essa informação de massa é, portanto, dominada pelo mercado capitalista, que a torna insignificante e pobre de conteúdo, mas determinante na criação das condições objetivas atuais de formação de uma cultura de massa mundial e de globalização do capital. P 70.

2.     Globalização e exclusão social. P 70.
CAPITALISMO: aspectos gerais
CONCEITUAÇÃO
Denominação do modo de produção em que o capital, sob suas deferentes formas, é o principal meio de produção. Tem como princípio organizador a relação assaltado-capital e como contradição básica a relação produção social-apropriação privada. P 71
ORIGEM (do século XV ao XVIII). P 71
Difusão das transações monetárias no interior do feudalismo. P 71
Crescimento do mercado mercantil e do comercio exterior – mercantilismo. P 71.
CARACTERISTICAS
- Apropriação por parte do capitalista do valor produzido pelo trabalhador para alem do trabalho necessário à subsistência. P 71.
- Existência de um mercado em que a força de trabalho é comprada e vendida livremente. P 71.
- concorrência entre capitais, forçando o capitalista a adotar novas técnicas e praticas científico – tecnológicas em busca do crescimento e do lucro. P 71
- Tendência à concentração de capitais nas grandes empresas. Etc.
PERIODIZAÇÃO DO CAPITALISMO
O amadurecimento das contradições internas do capitalismo produz etapas, fazes, ou estágios de adaptação. As diferencias entre as etapas do capitalismo verificam-se, sobretudo, no grau em que a produção, em sentido amplo, está socializada. Grosso modo, apresentam-se quatro etapas. P 71.
a)     Capitalismo concorrencial – século XVIII e início do século XIX. (etapa também chamada de primeira revolução industrial, fase industria, capitalismo competitivo, fase do capital mercantil). P 72.
b)     Capitalismo monopolista – século XIX e início do século XX. (etapa chamada também de imperialismo dos monopólios, segunda revolução industrial). P 72.
c)     Capitalismo monopolista de Estado – século XX (pós-segunda guerra mundial). (etapa chamada também de Estado benfeitor, Estado beneficiário, Estado de bem-estar social, capitalismo de estado, neoliberalismo social-democrata). P 73.
d)     Capitalismo concorrencial global – século XX (inicio da década de 80). (etapa chamada também de pós-capitalismo, economia de mercado, capitalismo flexível, neoliberalismo de mercado, terceira revolução industrial. P 73.

Aceleração, integração e reestruturação capitalista
O capitalismo lançou-se no final do século XX, em um acelerado processo de reestruturação e integração econômica, que compreende o progresso técnico-científico em áreas como telecomunicações e informática, a privatização de amplos setores de bens e serviços produzidos pelos Estados, a busca de eficiência e competitividade, etc. [...] Esse processo de aceleração, integração e reestruturação capitalista vem sendo chamado de globalização, ou melhor, de mundialização. P 74.
A globalização é visível, por exemplo, no processo de entrelaçamento da economia mundial, por meio de mercados comuns, blocos econômicos, como a União Européia (EU), o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA), o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), entre outros. P 74.
A globalização pressupõe, por isso, a submissão a uma racionalidade econômica baseada no mercado global competitivo e auto-regulável. P 75.
 A globalização é mais fortemente sentida em manifestações como:
A)    Produtos, capitais e tecnologia sem identidade nacional. P 75.
B)    Automação, informatização e terceirização da produção. P 75.
C)   Demissões, desemprego, subempregos. P 76.
D)   Diminuição dos salários e do poder sindical. P 76.
E)    Desqualificação do Estado e minimização das políticas publicas. P 76.
Globalização dos mercados: inclusão ou exclusão?
Embora o termo globalização possa sugerir a idéia de inclusão de todos os países, regiões e pessoas que se adequarem aos novos padrões de desenvolvimento capitalista, o que se percebe, de modo geral, é a lógica da exclusão da maioria (pessoas, países e regiões), que ocorre porque essa etapa do capitalismo é orientada pela ideologia do mercado livre. P 76.
Esse processo ocorre, em grande parte, graças à atuação das corporações mundiais ou transnacionais como Mitsubishi, Mitsui, General Motors, Ford, Volkswagen, Renault, Shell e outras, que atuam praticamente em todos os países. P 76-77.
A globalização da produção passa a redefinir a geografia do mercado de trabalho mundial. As corporações mundiais buscam lugares, condições de produção e de consumo que sejam favoráveis às elevadas taxas lucro, especialmente mão-de-obra qualificada e barata, mercado consumidor emergente, pouca ou nenhuma regulamentação do Estado para as relações de trabalho e fraca presença do movimento sindical. P 79.
As questões que se impões, então, são: que fazer com as pessoas estruturalmente desempregadas? Como redistribuir renda nacional em um tempo-espaço em que se apregoa e se impõe a minimização do Estado, a perda de substância real das democracias, a ampliação do mercado e a obsessão com o crescimento acordado com os interesses de acumulação do capital? P 79.

Globalização do poder: o estado e nova ordem mundial
A abertura econômica e a crescente limitação dos poderes do Estado nacionais têm como extensão a ampliação da autonomia do mercado mundial, a interdependência econômica e o aumento do poder transnacional. P 81.
As corporações transnacionais e as instâncias superiores de concentração de poder são cada vez mais constituintes, ordenadoras e controladoras da nova ordem mundial. P 82.

3.     Neoliberalismo: o mercado como princípio fundador, unificador e auto-regulador da sociedade
É possível dizer que o capitalismo/liberalismo vem assumindo duas posições clássicas que se revezam uma concorrencial e outra estatizante. P 84.
As duas posições ou macro tendência (concorrência e estatização) vêm orientando historicamente os projetos de sociedade capitalista-liberal, de educação e de seleção dos indivíduos. P 84.
A concorrência, cuja preocupação central é liberdade econômica define-se nas seguintes características: livre concorrência e o fortalecimento da iniciativa privada, com a competitividade, a eficiência e a qualidade de serviços e produtos; a sociedade aberta e a educação para o desenvolvimento em atendimento às demandas e às exigências dom mercado; a formação das elites intelectuais; a seleção dos melhores, baseadas em critérios naturais de aptidões e capacidades. P 84.
A segunda tendência, a estatizante, apresenta características cuja preocupação central é de conteúdo igualitarista-social, com o objetivo de: efetivar uma economia de mercado planejada e administrada pelo Estado; promover políticas publicas do bem-estar sócia (capitalismo social); permitir o desenvolvimento mais igualitário das aptidões e das capacidades,sobretudo por meio  da educação e da seleção dos indivíduos baseada em critérios mais  naturais. P 84.
O desenvolvimento das duas macrotendências leva-nos, ainda a perceber a existência histórica de dois paradigmas de condução de projetos diferenciados de modernização capitalista-liberal: o paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade e o paradigma da igualdade. P 84-85.
Com o auxilio dos dois paradigmas, o liberalismo tem demonstrado capacidade de adaptar-se, de incorpora-se e de mudar de significado em cada momento próprio do desenvolvimento do capitalismo, expressando sempre uma visão de mundo que ordene e mantenha a sociedade capitalista com uma realidade definitiva que se aperfeiçoa para o bem comum. P 85.
Embora pareçam antagônicos em alguns momentos históricos, os dois paradigma tem basicamente a mesma origem e, na essência, semelhantes germes constitutivos. Os germes constitutivos dos paradigmas da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade são percebidos com maior visibilidade no iluminismo, no liberalismo clássico (com J. Locke e A. Smith), no liberalismo conservador e no positivismo, enquanto os constitutivos do paradigma da igualdade estão mais presentes no iluminismo, no liberalismo clássico (com J-J Rousseau) e na revolução francesa. P 85.

O paradigma da igualdade
O paradigma da igualdade (na ótica liberal), ou melhor, da igualdade de oportunidade, não surge de uma hora para outra. Nasce com o ideal de isonomia do gregos , reaparece com o vigor revolucionário do iluminismo, é assumido como questão central no pensamento de Rousseau, como princípio básico na concorrente democracia da revolução francesa e como meta a ser alcançada pela ação governamental do novo liberalismo/social –liberalismo, após a segunda guerra mundial. P 90.
A tradição liberal democrática, igualitarista, desde cedo, adotou o estatismo como forma de assegurar a existência da sociedade livre, mediante certa igualdade nas condições materiais de existência. P 90.
O ideal democrático-igualitarista só se efetivou mais concretamente com a fase do capitalismo monopolista de Estado (novo liberalismo/social-liberalismo), sobretudo no período que vai de 1945 a 1973 (fordismo e keinesianismo). Trata-se de período por certa fé no paradigma da igualdade. P 90.
A modernização econômica capitalista pós-Segunda Guerra Mundial, que requer maior socialização do consumo para o desenvolvimento econômico, depositou maior confiança na educação em vista das mudanças na economia e no mercado de trabalho. A formação de sistemas nacionais de educação e expansão do ensino, nesse período, surgiram por decorrência. A igualdade de acesso tem sido perseguida em todos os graus e modalidades de ensino. P 91.
Os defensores do liberalismo social acreditavam que, por meio da universalização do ensino, seria possível estabelecer as condições de instituição da sociedade democrática, moderna, cientifica, industrial e plenamente desenvolvida. A ampliação quantitativa do acesso à educação garantiria a igualdade de oportunidade, o máximo do desenvolvimento individual e a adaptação social de cada um conforme sua inteligência e capacidade. P 91.
Embora o capitalismo ocorra tardiamente no Brasil – sobretudo a partir da revolução de 30, com o processo de industrialização e de urbanização –, é possível perceber, no contexto da era Vargas (1930-1945) e depois com a ideologia do desenvolvimento e do nacionalismo populista (1945-1964), as marcas do movimento mundial do capitalismo monopolista de Estado e do social-liberalismo/novo liberalismo. P 91-92.
O estado brasileiro no período de 1930 a 1964, expandiu-se, afim de nacionalizar e desenvolver a economia brasileira, particularmente a industrialização, por meio da substituição das importações. [...] De maneira geral no período populista ampliaram-se os direitos sociais, econômicos e políticos dos cidadãos, em que pesem os sinuosos caminhos de construção da democracia no País, nesse período. P 92.

O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade
O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade teve sua origem, a rigor, na gênese do modo de produção capitalista e, conseqüentemente, no modo de vida liberal-burguês. O processo produtivo capitalista,desde seu inicio, acentuou a relevância da iniciativa privada no sistema produtor de mercadorias, em contraposição ao modo de produção feudal e às excessivas interferências, regulamentação e centralização exercitadas pelo Estado absolutista no setor econômico. P 92.
O modo de produção capitalista requereu, inicialmente, u mercado livre (auto-regulável) em uma sociedade aberta, em que prevaleceria a livre competição. P 92.
Eficiência e qualidade são condições para a sobrevivência e a lucratividade no mercado competitivo. P 93.
O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade vem servindo, também para reordenar a ação do Estado, limitando, quase sempre, seu raio de ação em torno de políticas públicas. P 93.
Como se julga o Estado falido e incompetente para gerir a educação resolve-se transferi-la para a iniciativa privada, que, naturalmente, busca a eficiência e a qualidade. P 93.
Igualdade de acesso ou universalização do ensino em todos os níveis e qualidade de ensino ou universalização da qualidade aparecem como antítese. P 93.
A expansão da educação e do conhecimento, necessário ao capital e à sociedade tecnológica globalizada, apóia-se em conceitos como modernização, diversidade, flexibilidade, competitividade, excelência, desempenho, eficiência, descentralização, integração, autonomia, equidade, etc. p 94.
Os defensores do neoliberalismo de mercado, no campo da educação, julgam que a expansão educacional, ocorrida a partir da segunda guerra mundial, embalada pelo paradigma da igualdade, conseguiu promover certa mobilidade social por algum tempo, mas pouco contribui para desenvolvimento econômico. Houve também crescente perda da qualidade de ensino, demonstrada, por exemplo, em altas taxas de reprovação e de evasão. P 95.  

Neoliberalismo e educação: reformas e políticas educacionais de ajuste
No tocante à educação, a orientação política do neoliberalismo de mercado evidencia, ideologicamente, um discurso de crise e de fracasso da escola publica, como decorrência da incapacidade administrativa e financeira de o Estado gerir o bem comum. A necessidade de reestruturação da escola pública advoga a iniciativa da privada, regida pelas leis de mercado. Desse modo, o papel do Estado é relegado a segundo plano, ao mesmo tempo que se valorizam os métodos e os papel da iniciativa privada no desenvolvimento e no progresso individual  e social. p 101.
O estado na perspectiva neoliberal de mercado, vem desobrigando-se paulatinamente da educação publica. Nessa metamorfose, deixa de demonstra até mesmo o interesse na implementação da escola única que destaca os princípios de universalidade, laicidade e obrigatoriedade do ensino. P 102-103.
As relações entre capital e trabalho e entre trabalho e educação alteram-se profundamente, acirrando a contradição educar-explorar. P 103.
Essa nova abordagem da educação apóia-se em um conceito positivista de ciência neutra e objetiva. Conhecer, nessa perspectiva, observar, descrever, medir, explicar e prever os fatos livres de julgamento de valor, ou de ideologia. P 104.
A certeza a exatidão e a utilidade do conhecimento são os critérios da cientificidade e da racionalidade instrumental positivista posto à disposição do novo paradigma produtivo. P 104.
Nesse mesmo contexto aparecem as universidade públicas ameaçadas e em permanente crise. Faltam recursos de toda ordem para garantir sua funcionalidade. O discurso neoliberal de mercado questiona até mesmo a relevância social delas, ao mesmo tempo que vincula sua autonomia à questão do autofinanciamento e da privatização, como única forma de sair da crise e alcançar competitividade, racionalidade, qualidade e eficiência. P 104-105.
Restaria às universidades, como estratégia de sobrevivência, a opção de se atrelarem ao novo processo produtivo, com o objetivo de gerarem conhecimentos científico-tecnológicos necessários à competitividade das empresas no mercado global e formarem indivíduos mais adaptados às condições de vida profissional presente neste novo tempo. P 105.
Diante do exposto, verifica-se que a atual configuração estrutural e educacional, no plano mundial, impõe novos desafios e um novo discurso ao setor educacional. P 105.

   

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