sábado, 12 de junho de 2010

AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICO-CIENTÍFICAS, ECONÔMICAS E POLÍTICAS"

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Bibliografia
LIBÂNEO, José Carlos, OLIVEIRA, J. Ferreira de, TOSCHI, M. Seabra. Educação escolar: políticas, estruturas e organização. São Paulo: Cortez, 2003. – (Coleção Docência em Formação / coordenação Antonio Joaquim Severino, Selma Garrido Pimenta)  

fichamento

1.     Revolução tecnológica: impactos e perspectivas. P 59.
Inicialmente, buscaremos compreender em que consistem as transformações técnico-científicas. P 59.
Os estudiosos do assunto mencionam essas transformações com diferentes denominações, tais como Terceira revolução industrial, revolução cientifica, revolução informacional, revolução informática, era digital, sociedade técnico-informacional, sociedade do conhecimento ou, simplesmente, revolução tecnológica. P 59.
Boa parte dos autores leva a crer que as mudanças econômicas, sociais, políticas, culturais e educacionais decorrem da aceleração das transformações técnico-científicas. P 59.
A ciência e a técnica estariam assumindo o papel de força produtiva em lugar dos trabalhadores, já que seu uso, cada vez mais intenso, faria crescer a produção e diminuiria significativamente o trabalho humano. P 59.
As transformações técnico-científicas resultam da ação humana concreta, ou seja, de interesses econômicos conflitantes que se manifestam no Estado e no Mercado, pólos complementares do jogo capitalista. P 60.
Essas transformações refletem a diversidade e os contrastes da sociedade e, em decorrência, o empreendimento do capital em controlar e explorar as capacidades materiais e humanas de produção e riqueza. P 60.

Uma tríade revolucionária: a energia termonuclear, a microbiologia e a microeletrônico. P 60
Essa tríade aponta em grande parte, os caminhos do conhecimento e as perspectiva do desenvolvimento da humanidade. P 60.
A revolução tecnológica, ou Terceira revolução industrial é marcada, entre outras, pela energia termonuclear. P 60.
A energia termonuclear é responsável pelos avanços da conquista espacial, alem de constituir importantes fontes de alternativa de energia. Seu uso no sec. XX esteve em grande parte a serviço da moderna técnica de guerra, trazendo graves conseqüências e grandes riscos. P 60-61.

Revoluções científicas e tecnológicas da modernidade. P 61.
(do século XVIII ao século XXI)
PRIMEIRA REVOLUÇÃO CINTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 61.
(segunda metade do século XVIII)
- Nasce na Inglaterra, vinculada ao processo de industrialização, substituição e produção artesanal pela fábrica. P 61
- Caracteriza-se pela evolução da tecnologia aplicada à produção de mercadorias, pela fabricação do ferro como matéria prima, pela invenção do tear e pela substituição da força humana pela energia e maquina a vapor, criando as condições objetivas de passagem de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial. P 61.
SEGUNDA REVOLUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 61
(segunda metade do século XIX)
- Caracteriza-se pelo surgimento do aço, da energia elétrica, do petróleo e da indústria química e pelo desenvolvimento e pelo desenvolvimento dos meios de transportes e comunicação. P 61.
- Intensifica ainda mais a divisão técnica do trabalho, ao mesmo tempo em que promove sua padronização e desqualificação. P 62.
- Faz surgir as escolas industriais e profissionalizantes (escolas técnicas), bem como o operário-padrão. P 62.
TERCEIRA REVOLUÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA. P 62.
(segunda metade do século XX)
- Tem por base, sobretudo, a microeletrônica, a cibernética, a tecnotrônica, a microbiologia, a biotecnologia, a engenharia genética, as novas formas de energia, a robótica, a informática, a química fina, a produção de sintéticos, as fibras óticas, os chips. P 62
- Acelera e aperfeiçoa os meios de transporte e as comunicações. P 62.
- torna a gestão e a organização do trabalho mais flexíveis e integradas globalmente. P 62.
A revolução da microbiologia é responsável, também, por grandes avanços e perigos para a vida humana e do planeta. De um lado, o conhecimento genético dos seres vivos permite a produção de plantas e de animais melhorados para o combate à fome e à desnutrição etc. De outro, há o risco de produção artificial de seres vivos. P 63.
A revolução da microeletrônica, por sua vez, é que mais facilmente pode ser sentida e percebida. Estamos rodeados de suas manifestações no cotidiano, mediante: a) objeto de uso pessoal, como agendas eletrônicas, calculadoras, etc.; b) utensílios domésticos, como geladeiras, televisores etc.; c) serviços gerais – terminais bancários de auto-atendimento, jogos eletrônicos etc. [...] essas manifestações, bem como a introdução de permanentes artefatos no cotidiano de vida das pessoas, vem promovendo alterações nas necessidades, nos hábitos, nos costumes, na formação de habilidades cognitivas e até na compreensão da realidade (realidade virtual). P 63.
A vedete dessa revolução é, certamente, o computador. Para muitos ele constitui a maior invenção do século já que seu fascínio, seu aperfeiçoamento e sua utilização não parecem ter limites. P 63.
O computador tem ainda em seu favor o fato de ter se tornado sinônimo de modernização, de eficiência e de aumento da produtividade em um mundo cada vez mais competitivo e globalizado. P 64.
No mundo inteiro, vem decrescendo o trabalho humano na agricultura, em razão do processo de “tecnologização” e da modernidade da produção. [...] por isso, os trabalhadores do campo tornam-se, em grande parte, desnecessários ao processo de produção capitalista, sendo substituídos pelas ciências e pelas técnicas. Assim, enquanto a revolução tecnológica cria as condições para o aumento da produção de alimentos e para a grande diminuição do trabalho manual-assalariado, agrava-se o problema do desemprego no campo, como demonstra o MST. P 64.
No campo da indústria, as modificações do processo de produção são ainda mais lentos. A microeletrônica é responsável pela informatização e automação das fabricas, especialmente da indústria automobilística. P 65.
A microeletrônica permite: a) um aumento da produção em tempo menor; b) a eliminação de postos de trabalho; c) maior flexibilidade e controle do processo de produção e do trabalho; d) o barateamento e a melhoria da qualidade dos produtos e serviços. P 65.
 Provavelmente, os maiores efeitos dessa revolução sejam a crescente eliminação do trabalho humano na produção e nos serviços pelo uso da robótica e da informatização. P 65.
O crescimento do setor de serviço associa-se: a) à transferência da riqueza gerada com ganhos de produtividade na agricultura e na indústria; b) ao aumento do consumo; c) à generalização da competição; d) à terceirização patrocinada pela empresas; e) à diminuição do emprego na agricultura e na indústria; f) ao aumento da demanda por serviços em áreas como lazer e educação. P 66.
No setor de serviço, também vem se alterando o perfil de qualificação dos trabalhadores, em razão das reformulações das atividades e da incorporação das novas tecnologias, formas e técnicas de organização do trabalho. P 66.

Um destaque: a revolução informacional
Essa revolução tem por base um espantoso e contínuo avanço das telecomunicações, dos meios de comunicação e das novas tecnologias da informação. Tais avanços tornam o mundo pequeno d interconectado por vários meios, sugerindo-nos a idéia de que vivemos em uma aldeia global. P 66.
A internet é uma das estrelas principais dessa fase da revolução informacional, pois interliga milhares de computadores, ou melhor, de usuários a um imenso e crescente banco de informações, permitindo-lhes navegar pelo mundo por meios de microcomputadores. P 67.
Com maior ou menor acesso, no entanto, as novas tecnologias da informação e os diferentes meios de comunicação estão presentes nos espaços sociais ou incorporados ao cotidiano de vida das pessoas. P 67
As mídias também vêm sentindo o impacto da revolução da microeletrônica e do processo de informatização. P 67.
De maneira geral, os veículos jornalísticos informatizam-se e distribuem as informações por diferentes meios, criando redes de informação on-line que conseguem juntar texto, som e imagem. P 68.

Caracterizam ainda a revolução informacional
a)     O surgimento de uma linguagem comunicacional (já é comum também a utilização de uma linguagem digital, sobretudo, entre os jovens). P 68.
b)     Os diferentes mecanismos de informação digital, de acesso à informação e de pesquisas e ligações entre matérias sempre atualizadas e qualificadas. P 68.
c)     As novas possibilidades de entretenimento e educação. P 68.
d)     O acúmulo de informações e as infindáveis condições de armazenamentos. P 69.
Uma característica importante da revolução informacional diz respeito ao papel central da informação na sociedade pós-mercantil ou pós-industrial e seu tratamento. P 69.
A revolução informacional está, portanto, na base de uma nova forma de divisão social e de exclusão: de um lado, os que têm o monopólio do pensamento, ou melhor, da informação; de outro, os excluídos desse exercício. P 69.
Essa informação de massa é, portanto, dominada pelo mercado capitalista, que a torna insignificante e pobre de conteúdo, mas determinante na criação das condições objetivas atuais de formação de uma cultura de massa mundial e de globalização do capital. P 70.

2.     Globalização e exclusão social. P 70.
CAPITALISMO: aspectos gerais
CONCEITUAÇÃO
Denominação do modo de produção em que o capital, sob suas deferentes formas, é o principal meio de produção. Tem como princípio organizador a relação assaltado-capital e como contradição básica a relação produção social-apropriação privada. P 71
ORIGEM (do século XV ao XVIII). P 71
Difusão das transações monetárias no interior do feudalismo. P 71
Crescimento do mercado mercantil e do comercio exterior – mercantilismo. P 71.
CARACTERISTICAS
- Apropriação por parte do capitalista do valor produzido pelo trabalhador para alem do trabalho necessário à subsistência. P 71.
- Existência de um mercado em que a força de trabalho é comprada e vendida livremente. P 71.
- concorrência entre capitais, forçando o capitalista a adotar novas técnicas e praticas científico – tecnológicas em busca do crescimento e do lucro. P 71
- Tendência à concentração de capitais nas grandes empresas. Etc.
PERIODIZAÇÃO DO CAPITALISMO
O amadurecimento das contradições internas do capitalismo produz etapas, fazes, ou estágios de adaptação. As diferencias entre as etapas do capitalismo verificam-se, sobretudo, no grau em que a produção, em sentido amplo, está socializada. Grosso modo, apresentam-se quatro etapas. P 71.
a)     Capitalismo concorrencial – século XVIII e início do século XIX. (etapa também chamada de primeira revolução industrial, fase industria, capitalismo competitivo, fase do capital mercantil). P 72.
b)     Capitalismo monopolista – século XIX e início do século XX. (etapa chamada também de imperialismo dos monopólios, segunda revolução industrial). P 72.
c)     Capitalismo monopolista de Estado – século XX (pós-segunda guerra mundial). (etapa chamada também de Estado benfeitor, Estado beneficiário, Estado de bem-estar social, capitalismo de estado, neoliberalismo social-democrata). P 73.
d)     Capitalismo concorrencial global – século XX (inicio da década de 80). (etapa chamada também de pós-capitalismo, economia de mercado, capitalismo flexível, neoliberalismo de mercado, terceira revolução industrial. P 73.

Aceleração, integração e reestruturação capitalista
O capitalismo lançou-se no final do século XX, em um acelerado processo de reestruturação e integração econômica, que compreende o progresso técnico-científico em áreas como telecomunicações e informática, a privatização de amplos setores de bens e serviços produzidos pelos Estados, a busca de eficiência e competitividade, etc. [...] Esse processo de aceleração, integração e reestruturação capitalista vem sendo chamado de globalização, ou melhor, de mundialização. P 74.
A globalização é visível, por exemplo, no processo de entrelaçamento da economia mundial, por meio de mercados comuns, blocos econômicos, como a União Européia (EU), o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA), o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), entre outros. P 74.
A globalização pressupõe, por isso, a submissão a uma racionalidade econômica baseada no mercado global competitivo e auto-regulável. P 75.
 A globalização é mais fortemente sentida em manifestações como:
A)    Produtos, capitais e tecnologia sem identidade nacional. P 75.
B)    Automação, informatização e terceirização da produção. P 75.
C)   Demissões, desemprego, subempregos. P 76.
D)   Diminuição dos salários e do poder sindical. P 76.
E)    Desqualificação do Estado e minimização das políticas publicas. P 76.
Globalização dos mercados: inclusão ou exclusão?
Embora o termo globalização possa sugerir a idéia de inclusão de todos os países, regiões e pessoas que se adequarem aos novos padrões de desenvolvimento capitalista, o que se percebe, de modo geral, é a lógica da exclusão da maioria (pessoas, países e regiões), que ocorre porque essa etapa do capitalismo é orientada pela ideologia do mercado livre. P 76.
Esse processo ocorre, em grande parte, graças à atuação das corporações mundiais ou transnacionais como Mitsubishi, Mitsui, General Motors, Ford, Volkswagen, Renault, Shell e outras, que atuam praticamente em todos os países. P 76-77.
A globalização da produção passa a redefinir a geografia do mercado de trabalho mundial. As corporações mundiais buscam lugares, condições de produção e de consumo que sejam favoráveis às elevadas taxas lucro, especialmente mão-de-obra qualificada e barata, mercado consumidor emergente, pouca ou nenhuma regulamentação do Estado para as relações de trabalho e fraca presença do movimento sindical. P 79.
As questões que se impões, então, são: que fazer com as pessoas estruturalmente desempregadas? Como redistribuir renda nacional em um tempo-espaço em que se apregoa e se impõe a minimização do Estado, a perda de substância real das democracias, a ampliação do mercado e a obsessão com o crescimento acordado com os interesses de acumulação do capital? P 79.

Globalização do poder: o estado e nova ordem mundial
A abertura econômica e a crescente limitação dos poderes do Estado nacionais têm como extensão a ampliação da autonomia do mercado mundial, a interdependência econômica e o aumento do poder transnacional. P 81.
As corporações transnacionais e as instâncias superiores de concentração de poder são cada vez mais constituintes, ordenadoras e controladoras da nova ordem mundial. P 82.

3.     Neoliberalismo: o mercado como princípio fundador, unificador e auto-regulador da sociedade
É possível dizer que o capitalismo/liberalismo vem assumindo duas posições clássicas que se revezam uma concorrencial e outra estatizante. P 84.
As duas posições ou macro tendência (concorrência e estatização) vêm orientando historicamente os projetos de sociedade capitalista-liberal, de educação e de seleção dos indivíduos. P 84.
A concorrência, cuja preocupação central é liberdade econômica define-se nas seguintes características: livre concorrência e o fortalecimento da iniciativa privada, com a competitividade, a eficiência e a qualidade de serviços e produtos; a sociedade aberta e a educação para o desenvolvimento em atendimento às demandas e às exigências dom mercado; a formação das elites intelectuais; a seleção dos melhores, baseadas em critérios naturais de aptidões e capacidades. P 84.
A segunda tendência, a estatizante, apresenta características cuja preocupação central é de conteúdo igualitarista-social, com o objetivo de: efetivar uma economia de mercado planejada e administrada pelo Estado; promover políticas publicas do bem-estar sócia (capitalismo social); permitir o desenvolvimento mais igualitário das aptidões e das capacidades,sobretudo por meio  da educação e da seleção dos indivíduos baseada em critérios mais  naturais. P 84.
O desenvolvimento das duas macrotendências leva-nos, ainda a perceber a existência histórica de dois paradigmas de condução de projetos diferenciados de modernização capitalista-liberal: o paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade e o paradigma da igualdade. P 84-85.
Com o auxilio dos dois paradigmas, o liberalismo tem demonstrado capacidade de adaptar-se, de incorpora-se e de mudar de significado em cada momento próprio do desenvolvimento do capitalismo, expressando sempre uma visão de mundo que ordene e mantenha a sociedade capitalista com uma realidade definitiva que se aperfeiçoa para o bem comum. P 85.
Embora pareçam antagônicos em alguns momentos históricos, os dois paradigma tem basicamente a mesma origem e, na essência, semelhantes germes constitutivos. Os germes constitutivos dos paradigmas da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade são percebidos com maior visibilidade no iluminismo, no liberalismo clássico (com J. Locke e A. Smith), no liberalismo conservador e no positivismo, enquanto os constitutivos do paradigma da igualdade estão mais presentes no iluminismo, no liberalismo clássico (com J-J Rousseau) e na revolução francesa. P 85.

O paradigma da igualdade
O paradigma da igualdade (na ótica liberal), ou melhor, da igualdade de oportunidade, não surge de uma hora para outra. Nasce com o ideal de isonomia do gregos , reaparece com o vigor revolucionário do iluminismo, é assumido como questão central no pensamento de Rousseau, como princípio básico na concorrente democracia da revolução francesa e como meta a ser alcançada pela ação governamental do novo liberalismo/social –liberalismo, após a segunda guerra mundial. P 90.
A tradição liberal democrática, igualitarista, desde cedo, adotou o estatismo como forma de assegurar a existência da sociedade livre, mediante certa igualdade nas condições materiais de existência. P 90.
O ideal democrático-igualitarista só se efetivou mais concretamente com a fase do capitalismo monopolista de Estado (novo liberalismo/social-liberalismo), sobretudo no período que vai de 1945 a 1973 (fordismo e keinesianismo). Trata-se de período por certa fé no paradigma da igualdade. P 90.
A modernização econômica capitalista pós-Segunda Guerra Mundial, que requer maior socialização do consumo para o desenvolvimento econômico, depositou maior confiança na educação em vista das mudanças na economia e no mercado de trabalho. A formação de sistemas nacionais de educação e expansão do ensino, nesse período, surgiram por decorrência. A igualdade de acesso tem sido perseguida em todos os graus e modalidades de ensino. P 91.
Os defensores do liberalismo social acreditavam que, por meio da universalização do ensino, seria possível estabelecer as condições de instituição da sociedade democrática, moderna, cientifica, industrial e plenamente desenvolvida. A ampliação quantitativa do acesso à educação garantiria a igualdade de oportunidade, o máximo do desenvolvimento individual e a adaptação social de cada um conforme sua inteligência e capacidade. P 91.
Embora o capitalismo ocorra tardiamente no Brasil – sobretudo a partir da revolução de 30, com o processo de industrialização e de urbanização –, é possível perceber, no contexto da era Vargas (1930-1945) e depois com a ideologia do desenvolvimento e do nacionalismo populista (1945-1964), as marcas do movimento mundial do capitalismo monopolista de Estado e do social-liberalismo/novo liberalismo. P 91-92.
O estado brasileiro no período de 1930 a 1964, expandiu-se, afim de nacionalizar e desenvolver a economia brasileira, particularmente a industrialização, por meio da substituição das importações. [...] De maneira geral no período populista ampliaram-se os direitos sociais, econômicos e políticos dos cidadãos, em que pesem os sinuosos caminhos de construção da democracia no País, nesse período. P 92.

O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade
O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade teve sua origem, a rigor, na gênese do modo de produção capitalista e, conseqüentemente, no modo de vida liberal-burguês. O processo produtivo capitalista,desde seu inicio, acentuou a relevância da iniciativa privada no sistema produtor de mercadorias, em contraposição ao modo de produção feudal e às excessivas interferências, regulamentação e centralização exercitadas pelo Estado absolutista no setor econômico. P 92.
O modo de produção capitalista requereu, inicialmente, u mercado livre (auto-regulável) em uma sociedade aberta, em que prevaleceria a livre competição. P 92.
Eficiência e qualidade são condições para a sobrevivência e a lucratividade no mercado competitivo. P 93.
O paradigma da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade vem servindo, também para reordenar a ação do Estado, limitando, quase sempre, seu raio de ação em torno de políticas públicas. P 93.
Como se julga o Estado falido e incompetente para gerir a educação resolve-se transferi-la para a iniciativa privada, que, naturalmente, busca a eficiência e a qualidade. P 93.
Igualdade de acesso ou universalização do ensino em todos os níveis e qualidade de ensino ou universalização da qualidade aparecem como antítese. P 93.
A expansão da educação e do conhecimento, necessário ao capital e à sociedade tecnológica globalizada, apóia-se em conceitos como modernização, diversidade, flexibilidade, competitividade, excelência, desempenho, eficiência, descentralização, integração, autonomia, equidade, etc. p 94.
Os defensores do neoliberalismo de mercado, no campo da educação, julgam que a expansão educacional, ocorrida a partir da segunda guerra mundial, embalada pelo paradigma da igualdade, conseguiu promover certa mobilidade social por algum tempo, mas pouco contribui para desenvolvimento econômico. Houve também crescente perda da qualidade de ensino, demonstrada, por exemplo, em altas taxas de reprovação e de evasão. P 95.  

Neoliberalismo e educação: reformas e políticas educacionais de ajuste
No tocante à educação, a orientação política do neoliberalismo de mercado evidencia, ideologicamente, um discurso de crise e de fracasso da escola publica, como decorrência da incapacidade administrativa e financeira de o Estado gerir o bem comum. A necessidade de reestruturação da escola pública advoga a iniciativa da privada, regida pelas leis de mercado. Desse modo, o papel do Estado é relegado a segundo plano, ao mesmo tempo que se valorizam os métodos e os papel da iniciativa privada no desenvolvimento e no progresso individual  e social. p 101.
O estado na perspectiva neoliberal de mercado, vem desobrigando-se paulatinamente da educação publica. Nessa metamorfose, deixa de demonstra até mesmo o interesse na implementação da escola única que destaca os princípios de universalidade, laicidade e obrigatoriedade do ensino. P 102-103.
As relações entre capital e trabalho e entre trabalho e educação alteram-se profundamente, acirrando a contradição educar-explorar. P 103.
Essa nova abordagem da educação apóia-se em um conceito positivista de ciência neutra e objetiva. Conhecer, nessa perspectiva, observar, descrever, medir, explicar e prever os fatos livres de julgamento de valor, ou de ideologia. P 104.
A certeza a exatidão e a utilidade do conhecimento são os critérios da cientificidade e da racionalidade instrumental positivista posto à disposição do novo paradigma produtivo. P 104.
Nesse mesmo contexto aparecem as universidade públicas ameaçadas e em permanente crise. Faltam recursos de toda ordem para garantir sua funcionalidade. O discurso neoliberal de mercado questiona até mesmo a relevância social delas, ao mesmo tempo que vincula sua autonomia à questão do autofinanciamento e da privatização, como única forma de sair da crise e alcançar competitividade, racionalidade, qualidade e eficiência. P 104-105.
Restaria às universidades, como estratégia de sobrevivência, a opção de se atrelarem ao novo processo produtivo, com o objetivo de gerarem conhecimentos científico-tecnológicos necessários à competitividade das empresas no mercado global e formarem indivíduos mais adaptados às condições de vida profissional presente neste novo tempo. P 105.
Diante do exposto, verifica-se que a atual configuração estrutural e educacional, no plano mundial, impõe novos desafios e um novo discurso ao setor educacional. P 105.

   

“A POLÍTICA EDUCACIONAL DO BANCO MUNDIAL”



SILVA, Maria Abadia da. Intervenção e consentimento: a política educacional do Banco Mundial. Campinas: FAPESP, 2002.

- Este estudo afirma que as políticas de educação básica estão alinhando-se, cada vez, mas, às políticas e às estratégias deliberadas e aprovadas pelo Banco Mundial. A tese defendida é que a intervenção das instituições financeiras internacionais nas políticas para a educação básica pública, advindas de anos anteriores e aceleradas pelas circunstâncias internacionais das ultimas décadas conta com o consentimento do governo federal, de parte dos estaduais, e das elites dirigentes para a sua efetivação. Sob a aparência de políticas para a realidade nacional, tem captado e introjetado o ideário político e filosófico externo. Especialmente nas décadas de 1980 e 1990, com a anuência do governo federal, dos ministros e dos secretários dos estados, ainda que ocorram resistências dos sindicatos, associações, de partidos de esquerdas e das entidades não governamentais. ”(pág. 81)
- Em relação aos anteriores, nos anos de 1990, os documentos do Banco Mundial (1992 a, 1995 a, 1995 c), afirmam categoricamente as políticas setoriais para os distintos níveis e modalidades de ensino. Quantos aos conceitos analíticos o banco faz uma reconceituação das necessidades básicas de aprendizagem e da pobreza, segundo os interesses político-ideológicos e resultados prescritos a priori... ”(pág. 83)
- No decorrer da analise dos documentos encontraram-se as exigências estabelecidas na minuta de negociação e no manual de operação e implantação de projetos e os princípios, objetivos e estratégias educacionais, como, por exemplo, o aumento do tempo escolar, a ampliação da duração do ciclo escolar, o aumento da capacidade de aprendizagem dos alunos. O apoio à educação pré-escolar, a melhoria do ambiente de sala de aula, apoio ao sistema de saúde e nutrição, a melhoria da capacidade dos docentes, a melhor capacitação das habilidades pedagógicas e incrementos para ensinar, a reestruturação administrativa e organizacional com desmembramento do sistema, desenvolvimento das competências administrativas, criação do sistema de avaliação por desempenho, o provimento de sistema de informações que contemplem eficiências e organizacional, a persuasão dos pais acerca do valor da educação e a mobilização da comunidade para os proventos econômicos. Não são raros os casos em que as escolas carecem de serviço de manutenção básico e, neste caso, a comunidade assume um  serviço que é de responsabilidade dos poderes constituídos. No trecho abaixo, constata-se a transferências da responsabilidade pelo custo da educação publica à comunidade e aos pais.”( pág.84)       
- Por volta de 1995, o Banco Mundial seguia nas seguintes frentes: colaborar com os países para que seus habitantes tivessem maior acesso a serviços de qualidades e mais eficazes em função dos custos, desenvolver programas de saúde e educação dirigidos às crianças, aplicar um política democrática e a oferta de serviço de planejamento familiar e educação para a mulher, incrementar programas direcionados à eliminação dos obstáculos que impedem a participação da mulher no desenvolvimento econômico, reunir esforço que assegurasse uma educação primaria de boa qualidade a todos e um conjuntos mínimo de um serviço de saúde eficiente em função dos custos e acabar com a desnutrição (Banco Mundial,1995d).”( pág. 86)
- Um dado a ser ressaltado no documento é a referencia à dura  fiscalização  do governo sobre as escolas privadas, inibindo-as e dificultando sua participação no desenvolvimento no  livre mercado e de serem conduzidas pela mão invisível. Segundo Friedman, “o crescimento da educação desviou-a do caminho originário destinado a forma elite do poder ou dar a cada um o que a formação social que lhe destinava. Por outro lado, o desenvolvimento do sistema estatal reflete-se no surgimento de grandes instituições educativas que limitam as possibilidades de escolha do consumidor, ao impedir o desenvolvimento das unidades menores de oferta adaptadas a varias expectativas de país” (Friedman, 1980). Na verdade, o que está posto no argumento dos gestores externos é o principio da competitividade e o livre mercado defendido por Friedrich Hayek (1977) e Milton Friedman (1985), tratando a educação como mercadoria a ser comprada e negociada de acordo com as forças  do mercado omitindo os custos sociais numa sociedade de classe em que os serviços públicos sabiamente não rendem lucro, e por isso os clássicos do liberalismo haviam atribuído ao Estado a responsabilidade de sua oferta publica. Segundo entrevista do Sr. Gary Becker, premio Nobel de economia de 1992, “o financiamento do ensino superior em detrimento dos estágios básicos é considerado um equivoco. Os governos que assim o fazem estão subsidiando as pessoas erradas. O papel do governo na promoção do capital humano é garantir o ensino primário e secundário, que dê conhecimentos gerais ás pessoas”. É nessa lógica credencialista para a educação publica que os gestores das instituições externas fundam  seus princípios tornando-os equivalentes aos nacionais, com anuências dos membros do ministério e das secretarias da educação”. 

2.3             Anos de 1990: mudanças nas políticas educacionais do Banco Mundial

- o secretário de educação não atua diferentemente, é apenas um condutor da ideologia dominante e do aparato jurídico institucional para enquadrar toda a comunidade escolar nos modelos desejados (p. 95).
- mesmo com distorções, resistências, modificações e impossibilidades físicas, técnicas ou humanas, todas as escolas são controladas e reordenadas. (p. 95).
- uma síntese crítico-reflexiva demonstra que as políticas sociais, entre elas as políticas educacionais, são estabelecidas pelas instituições financeiras internacionais, com a anuência dos governos e das elites conservadoras locais. (p. 96).
- para elaborá-las, hierarquizá-las e priorizá-las, ocorrem os embates político-econômicos e ideológicos entre as prescrições externas, os pactos político-partidários de origem estatal empresariam e a sociedade civil representada pelos cidadãos e pelas entidades acadêmicas e sindicais. (p. 96).
- nesse sentido, intervir significas interpor sua autoridade a favor de seus interesses. (p. 96).
- essa prática de intervenção externa tem sido utilizada pelos Estados industrializados para lograr a predominância de suas políticas. (p. 96).
- a via da intervenção acelerou-se, na década de 1980, por meio das ações diretas e sistemáticas, acrescidas dos empréstimos solicitados, prioritariamente, ao Banco Mundial, que passou a ser com o Fundo Monetário, o principal ator na determinação de políticas econômicas e socioeducacionais. (p. 96).
- os projetos do Banco Mundial são de intervenção sistemática e seus padrões de empréstimos e de juros condicionam os devedores a estudos preliminares e a resultados a serem alcançados. (p. 96).
- um dos mecanismos de intervenção sistemática foi desqualificar a produção do conhecimento e da ciência dos Estados latino-americanos. Os economistas e técnicos do Banco Mundial propuseram as seguintes medidas: reduzir o subsídio aos estudantes e cobrar pagamento de matrícula, de mensalidades e de serviço com a finalidade de reduzir o excesso de demanda para o ensino médio e superior e inibir que grande proporção de alunos matriculados abandonem seus estudos. (p. 97).
- para o Banco Mundial, a estratégia política funda-se numa política educacional de auto-sustentação financeira, mediante redução de provimentos públicos e do incremento com o setor produtivo, estabelecendo vínculos e parcerias das escolas de ensino médio e das universidades com as empresas privadas e redireciona as demandas para as modalidades posteriores, desconsiderando toda a complexidade do processo. (p. 97).
- o Banco Mundial opõe-se às políticas de gratuidade para os níveis médio e superior, determinando que se contenham a demanda, particularmente ao nível superior: divulga amplamente, como, política para o ensino superior, procedimentos fundados na produtividade e na racionalidade técnica para aferir produção de conhecimento; propõem o fim da gratuidade para os estudantes, incluindo: cobrança de taxas, pagamentos para participação em curso e contenção de recursos para serviço de participação  e moradia. (p. 97-98).
- nada foi mencionado quanto à produção cientifica e tecnológica enquanto principio de autonomia e de soberania nacional. (p. 98).
- as reformas do FMI / Banco Mundial desmantelam brutamente os setores sociais dos países em desenvolvimento, anulando os esforços e as lutas do período pós-colonial e revertendo com uma canetada o progresso já conseguido. (p. 99).
- o Banco Mundial, juntamente com o Fundo Monetário, impôs o ajuste estrutural às economias devedoras durante os anos de 1980. (p. 100).
- a aplicação desses princípios, defendidos pelos gestores externos como necessários, e a sua reaplicação na educação publica delineiam a intervenção calcada nas seguintes políticas: ênfase no ensino fundamental em detrimentos dos demais níveis, nenhum acréscimo da parcela do PIB para a educação, currículo direcionado para o mercado e para o consumo de produtos importados, centralização dos conteúdos básicos – parâmetros curriculares nacionais, flexibilização das formas de contratação de professores, privatização gradual do ensino médio e superior, reclassificação dos alunos etc. somam-se ainda, os programas de educação à distância, os telecursos 2000 e a terceirização de serviços escolares. (p. 100).
- essas políticas, fundadas no pressuposto de que a educação pública deve ser definida pelos instrumentos do mercado, revelam de uma parte, a utilização da educação pública como instrumento de intervenção eficaz. (p. 100).
- em cada estado e nos municípios, as políticas para a educação básica pública implementadas refletem a intervenção da política macroeconômica externa, como resultado da incapacidade dos governos para gerar e produzir políticas sociais e educacionais independentes, mas soberanas. (p. 100).

4.            A ATUAÇÃO DO BANCO MUNDIAL NA FORMAÇÃO DE POLÍTICAS E PROJETOS PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA

- alem dos recursos financeiros, o Banco Mundial tornou-se a inteligência auxiliar dos governos latino-americanos na elaboração de programas, de projetos setoriais de desenvolvimento, de combate à pobreza, de reforma agrária com financiamento de compra das terras (p. 101).
- no período de 1985-1994, com o acirramento dos desajustes sociais e econômicos, no âmbito interno, houve predominância das políticas e das estratégias do Banco Mundial, incorporadas pelo Estado da America Latina prestadores, gerando modificações na organização, no funcionamento e no financiamento da educação pública (p. 101).
- a aproximação entre as duas equipes acentuo-se nos anos de 1990, durante o governo de Fernanda Collor (1990-92), quando aderiu aos postulados neoliberais prescritos no consenso de Washington. Na presidência tomou medidas quanto à liberalização comercial, à política indústria e à legislação brasileira no campo da informática (p. 102).
- quanto aos dados percentuais para a educação, no período de 1987-1994, eles passaram de 2% para 29% do total de empréstimos realizados pelo Banco Mundial (p. 102).
- do ponto de vista econômico, tradicionalmente o país internacionalizou-se à custa da dependência, dos financiamentos externos e dos constantes déficits na balança de pagamentos (p. 102).
- nos anos de 1990, estreitou-se a aproximação sistemática entre as duas equipes e o resultado pode ser verificado na aprovação de seis projetos para a educação básica pública com contrapartida dos estados, dos municípios e da FNDE (p. 103).
- nas ultimas décadas, os projetos acordados foram: Projeto Inovações no Ensino Básico do Estado de São Paulo, Projeto de Qualidade no Ensino no Paraná, Projeto de Educação Básica do Estado de Espírito Santo, Projeto Pró-Qualidade do Estado de Minas Gerais, Projeto Nordeste II, Projeto Nordeste III. O que mais incomoda nestes projetos é a nula transparência do conteúdo destes acordos (p. 103).
- os trâmites legais entre o Banco Mundial e o governo do Brasil estão efetivados no documento “Estratégia de Assistência ao País” (p. 103).
- no documento “Estratégia de Assistência do País”, estão prescritos a estabilização econômica, o desenvolvimento e as reformas institucionais (p. 104)
- os anos de 1990 reproduziram os insucessos econômicos e sociais. Os programas de ajustes estruturais para a estabilização da economia brasileira encontram-se num dilema: como explicar a estabilização temporária dos preços e o fracasso simultâneo nas áreas de crescimento econômico e da justiça social (p. 105).
- em seus discursos, os gestores do Banco Mundial exigem a prioridade para o ensino fundamental – em detrimento da educação infantil, do ensino médio, da educação de jovens e adultos, da educação indígena e do ensino superior – como chave para o desenvolvimento, concebendo-o como investimento necessário e de maior retorno que outros investimentos (p. 105).
- no documento “Educación Primária” (1992), o Banco Mundial afirma ser a educação primaria o pilar do crescimento econômico e do desenvolvimento social, alem de principal meio para promover o bem-estar das pessoas (p. 105).
- nessa lógica, predominam a falta de qualificação profissional, o esvaziamento dos conteúdos escolares e a desqualificação das instituições educacionais (p. 105).
- os conteúdos distribuídos em séries, ciclos ou módulos de ensino iniciam os indivíduos na tarefa de serem consumidores de mercadorias, disponíveis para as demandas do mercado, ordeiros e com competências rudimentares para fazer suas escolhas dentro daquilo que é oferecido pelo mercado (p. 106).
- segundo os gestores do Banco, o grave problema educacional do Brasil é a baixa qualidade, causa dos altos índices de repetência e evasão (p. 106).
- e para melhorar a qualidade e a eficiência do ensino, estabeleceram-se as seguintes estratégias: melhoria da capacidade de aprendizagem do aluno, redução das altas taxas de repetência, aumento das despesas por aluno (p. 106).
- No documento “Veinte años de ayuda del Banco Mundial a La educación: presentación y evaluación”, foram expostos os objetivos e as estratégias do Banco Mundial para a educação primaria, esclarecendo a continuidade e os desdobramentos posteriores de sua política (p. 106).
- os técnicos do Banco Mundial, juntamente com parte da equipe do ministério da educação brasileira, estabeleceram como estratégias de melhoria da educação pública (p. 108):
            *Providenciar livros didáticos e outros matérias de ensino;
            *Melhorar as habilidades dos professores em técnicas de sala de aula;
*O estabelecimento de capacitação permanente e de avaliações              institucionais;  
*elevar a capacidade de gerenciamento setorial, incluindo o estabelecimento da capacidade de monitorar;
*melhoria das instalações e equipamentos escolares;
*assessorar o desempenho dos alunos, implementando um sistema de avaliação permanente da educação básica (p. 108)
- no caso do projeto de educação básica para o nordeste que abrangia nove estados, o objetivo geral: é a melhoria da qualidade do ensino fundamental com ênfase nas primeiras quatro séries, através do apoio financeiro a programas integrados estados/municípios de investimento na educação (p. 108).
- durante o governo Itamar Franco (1992-1994) criou-se a nova moeda, o Real, derivadas das negociações internas e externas para vencer a inflação, consolidar a estabilização econômica, assegurar o crescimento encabeçado pelo setor privado, atrair investimentos externos, aprovar as reformas e induzir redução de gastos para as políticas públicas (p. 110).
- para contemplar seus interesses políticos e subordinar a educação ao modelo econômico, prescreviam o barateamento dos custos da educação para o setor público, a racionalização da oferta do ensino, mediante adoção de alternativa extra-escolares (p. 112).
- o fundamento destas políticas para a educação estão nos mesmos que alicerçam o modelo de desenvolvimento econômico (p. 112).
- as políticas para a educação emanadas do Banco Mundial são de natureza discricionária-assistencialista e contencionista-reformista (p. 113)

         

“LDB DEZ ANOS DEPOIS: REINTERPRETAÇÃO SOB DIVERSOS OLHARES



REFERÊNCIA

PEREIRA, Eva Waisros; TEIXEIRA, Zuleide Araujo. Reexaminado a educação básica na LDB: o que permanece e o que muda. In: BRZEZINSK, Iria (org.). LDB dez anos depois: reinterpretação sobre diversos olhares. São Paulo: Cortez, 2008.

Introdução

- A lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional representa um marco na história recente da educação brasileira. A sua importância decorre não apenas do conteúdo do texto, mas advém especialmente do contexto em que foi elaborada. P. 99.
- A construção dessa lei traz a marca exemplar da participação cidadã de diferentes segmentos da sociedade civil organizada, na área da educação, destacadamente o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública na LDB.  P. 99.
- O Fórum, cuja estruturação deu-se ainda no período constituinte, consagrou-se como o mais representativo movimento social partícipe daquele processo – na defesa de uma escola pública, gratuita, laical e de qualidade – e teve a sua atuação legitimada no congresso. P. 100.
- A LDB, aprovada e sancionada em dezembro de 1986, na forma da lei 9.394, nasce eivada de contradições. Os estudos a respeito do tema evidenciam avanços consideráveis em determinadas questões e, ao mesmo tempo, retrocesso em tantas outras. P. 100.
- Transcorrido 10 anos da sua promulgação, é oportuna que se proceda a analise a respeito da nova analise a respeito. O presente texto situa-se nessa perspectiva e aborda estritamente questões relativas à educação básica. P. 100.
- Este trabalho tem seus limites nas iniciativas adotadas para a consolidar, aperfeiçoar ou modificar a LDB, mediante a legislação e as políticas públicas definidas para o setor educacional, no período compreendido entre 1997 e 2007. P. 100.

I.      Concepção de educação básica: uma nova dimensão da formação humana
A ampliação do direito à educação básica
- regulação da educação básica tem como ponto de partida pressupostos políticos, sociais, e pedagógicos, que revelam a natureza e os propósitos pretendidos nesse nível de escolarização. P. 101.
- A educação básica situa-se, no postulado de um ensino universal, destinado a formação comum que se fundamenta no principio republicano de igualdade de oportunidades educacionais. P. 101.
- O direito à educação expressa o ideal dos revolucionários franceses em prol de um sistema de ensino público, gratuito, laico, universal, púnico e obrigatório, que caracteriza o nascimento da escola moderna, universal e única para todos. P. 101.
- Essa acepção do direito à educação figura entre os princípios estabelecidos na constituição brasileira. P. 101.
- O art. 3º, I, da LDB refere-se especificamente à igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. P. 101.
- Essa ampliação do direito decorre  do contexto da educação brasileira, onde existe um percentual significativo de crianças e jovens fora da escola, principalmente pela exclusão de um grande número de alunos. P. 101.
- Assegurar o acesso à escola depende de decisões eminentemente políticas , no sentido de expandir a rede pública de ensino e instituir a obrigatoriedade escolar. P. 101.
- Nessa circunstância, as questões que se colocam são de seguinte teor: de que qualidade de educação se trata? Que demandas sociais o atual momento histórico está a exigir da escola? Quais qualidades sociais privadas? Que características deve assumir a formação humana na sociedade contemporânea? Quais rumos perseguir? Quais os objetivos, as estratégias e as ações que devem ser primordialmente contempladas? P. 102.
- Hoje emerge no cenário educacional um esforço voltado para consolidar  igualdade, mediante a inclusão de comunidades que historicamente são excluídos do direito à educação e desconsideradas nas suas diferencias e particularidades. P. 102.
- [...] a educação básica engloba também a Educação de Jovens e Adultos, educação especial, educação do campo, educação indígena e educação profissional, exceto a de nível tecnológica. P. 102-103.
- Nessa perspectiva ter-se-ia, como sugere Boto, um novo patamar do direito à educação, pautado numa tolerância e numa renovada convivência de diferentes comunidades, deferentes grupos sociais e diferentes pessoas. P. 103. 


 Uma nova concepção de educação (p. 103).
- A nova LDB, expressa uma ampla concepção ampla de educação, que projeta uma nova dimensão à formação humana. P. 103.
- “A educação abrange os processo formativos que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais (art. 1º)”. P. 103.
- Ao situar a educação escolar no espectro amplo da vida social, a LDB induz a uma reflexão crítica da nossa prática educacional: a forma estreita como ela vem sendo concebida, o isolamento da escola em relação ao mundo exterior, a distancia entre teoria e prática, entre trabalho intelectual e o trabalho manual, etc. P. 103.
- Um dos princípios que inova radicalmente a historia da educação formal em nosso país é que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo o trabalho e à prática social”. P. 103.
- A relação trabalho e educação configura-se como um desafio a ser assumido, ante o numero significativo de polêmicas, indefinições e dúvidas que suscita tanto no campo teórico, como no da realização. P. 104.
- O conceito de trabalho e sua participação na vida do indivíduo e da sociedade é algo que precisa ter sua discussão aprofundada, particularmente diante do atual cenário, em que se responsabiliza a educação por organizar um “novo perfil de conhecimento”. P. 104.
- A partir da nova perspectiva, a educação básica pode constituir-se numa via à plenitude democrática, mediante a formação de indivíduos conscientes de sua inserção na sociedade. P. 104.
- O alargamento da concepção de educação básica evidencia-se na ampliação do número de anos e etapas da escolarização. P. 104.
- A atual LDB define uma concepção unificada de educação básica, que abrange a formação do indivíduo desde 0 anos de idade até o final do ensino médio, em três etapas consecutivas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. P. 104.
- A ampliação conceitual da educação básica pode ser percebida no interior de cada uma de suas etapas, a partir de seus conceitos e formas de organização. P. 105.



 2.  Educação infantil: ênfase ao caráter educativo       
- A LDB concebe a educação infantil como a primeira etapa da educação básica e define sua finalidade: “promover o desenvolvimento integral da criança, até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social (art. 29)”. P. 105.
- A educação infantil deixa, assim, de desempenhar o papel de “guarda de criança” ou de “preparatória” para o ensino regular. P. 106.
- O trabalho pedagógico tem por objetivo atender as necessidades determinadas pela especificidade da faixa etária, a partir de uma visão da criança como criadora, ser histórico, sujeito de direitos, capaz de estabelecer múltiplas relações e produtora de cultura (Brasil, MEC, 2006:8). P. 106.
- Consoante o art. 30 da LDB, a educação infantil desenvolve-se em creches , para crianças de até 3 anos de idade, e em pré-escolas, para as crianças de 4 a 6 anos. Essa estrutura organizacional, no entanto, já sofreu mudanças, em decorrência da decisão governamental de ampliação do ensino fundamental para 9 anos de duração e antecipação da matrícula nesse nível para as crianças de seis anos de idade. P. 106.
- Na constituição Federal de 1988, a educação das crianças figura como direito do cidadão e dever do estado. [...] A responsabilidade pela oferta da educação infantil é atribuída aos municípios (art. 211, § 2 da CF/88, e o art. 11, inc. V, da LDB) e deve contar com o apoio das demais esferas governamentais. P. 106.
- O atendimento à população infantil nas últimas décadas ampliou-se de forma desorganizada, com a criação de instituições “fora” do sistema de ensino público, especialmente em instituições filantrópicas ou conveniadas (art. 213 da CF/88). P. 106.
- Os dados do IBGE/PNAD (2003) revelam que apenas 37, 7% do total de crianças entre 0 a 6 anos de idade freqüentam a educação infantil ou o ensino fundamental. P. 107.
- O PNE propõe medidas para implementar a qualidade as diretrizes e os referencias curriculares nacionais para a educação infantil, na perspectiva da melhoria da qualidade. P. 107.
- O FUNDEF, implantado em 2007 em substituição ao FUNDEB, responde, em grande parte, à mobilização dos movimentos sociais da área, para incluir a educação infantil, a partir das creches , e observar inclusive aquelas conveniadas com os sistemas municipal e estadual públicos, desde que mantenha crianças até 3 anos de idade dentro de uma escola de qualidade. P. 107.

3. Ensino fundamental: obrigatoriedade escolar ampliada   
- O ensino fundamental é a etapa da educação básica definida como obrigatória pela constituição brasileira e, segundo prescreve a LDB, abrange oito anos de escolarização, iniciando-se a partir de 7 anos de idade, sendo facultativa a matrícula de crianças aos 6 anos. P. 108.
- Aspecto inovador da LDB em relação ao tema é não estabelecer limite e idade para o direito ao ensino fundamental obrigatório,que, até então, por força da legislação anterior, destinava-se exclusivamente às crianças e jovens dos 7 aos 14 anos. Com isso, ampliou-se o direito à escolaridade obrigatória para todos os brasileiros [...] é o que expressa o dispositivo da lei abaixo transcrita:
                      Art. 4º O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
I – ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria [...]. P. 108.
- O direito de acesso ao ensino fundamental de uma parcela considerável da população [...] representa uma conquista democrática e denota uma nova compreensão do papel da educação na construção de uma sociedade igualitária e justa. P. 108-109.
- A assunção da educação como direito público subjetivo, inscrito no art. 208, inciso I, da Constituição Federal e reproduzido, posteriormente, no art. 5º da LDB, amplia a dimensão democrática da educação da educação, já que buscava proteger o ensino fundamental em todo o território nacional. P. 109.
- “O direito público subjetivo auxilia e traz um instrumento jurídico institucional capaz de transformar este direito num caminho de real efetivação de uma democracia educacional”. P. 109.
- o cumprimento á escolaridade obrigatória pressupõe direitos sociais e deveres por parte do Estado, da família e da sociedade. P. 109.
- Conforme o artigo 5º da LDB, é direito de qualquer cidadão, grupo ou instituição que o representa acionar o poder público para exigir o acesso ao ensino fundamental, obrigatório, em caso de falta, omissão ou negligência. P. 109.
- É importante reiterar aqui a mudança recentemente introduzida na LDB: a ampliação do ensino fundamental para nove anos de duração, com matricula obrigatória a partir dos 6 anos de idade. P. 109.
- [...] a referida mudança diz respeito exclusivamente às crianças e adolescente na faixa etária prevista para o ensino fundamental “regular”. P. 110.
- As dificuldades para implementar a escolarização obrigatória de jovens e adultos trabalhadores persistem desde a aprovação da LDB, especialmente em decorrência das restrições orçamentárias [...]. Com a instituição do Fundeb, a situação tende agora a alterar-se, uma vez que esse fundo prevê a destinação de recursos específicos para essa finalidade. P. 110.

4. Ensino médio 
 - O ensino médio, estruturado para funcionar com a duração mínima de três anos, tem a função de fechar um ciclo de conhecimento e de formação como ultima etapa da educação básica. P. 111.
- O art. 22 da LDB estabelece como finalidade para a educação básica “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. P. 11
- os meios para progredir no mundo do trabalho, em sua fase inicial, devem ser desenvolvidos de maneira precípua pelo ensino médio, uma vez que a LDB inclui, entre as finalidades especificas desse nível de escolarização, “a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando” (art. 35). P. 111.
- As diretrizes curriculares do ensino médio apontam princípios axiológicos, orientadores de pensamentos e condutas, bem como princípios educacionais, com vista à construção do mencionado projeto pedagógico. P. 112.
- O texto da LDB defendido pelo Fórum não contradiz tais diretrizes, entretanto procura deixar explicitado claramente que o ensino médio deve ser planejado em consonância com as características sociais, culturais e cognitivas da pessoa humana, sujeito e diferencial dessa ultima etapa da educação básica [...]. P. 112.
- o processo pedagógico deverá ser pensado em todo sistema de ensino a partir da realidade de suas instituições escolares, com a centralidade na pessoa, como sujeito do processo de construção do conhecimento científico, tecnológico e cultural, inserida em detrimento do cenário sócio-histórico. P. 112.
- Na estrutura desse nível de ensino observa-se um movimento de mudança, ainda que apenas quantitativa, evidenciada pelo aumento significativo de matrículas decorrentes da ampliação do numero de concluintes do ensino fundamental. P. 112.
- Outra questão problemática no ensino médio é a defasagem idade-série. Estudo realizado [...] afirma que a defasagem atinge 54% dos estudantes na faixa etária de 15 a 17 anos de idade e que 50% dos estudantes da rede pública freqüentam o ensino noturno. No caso a maioria está fora da faia adequada para esse nível de ensino. P. 113.
- A Constituição brasileira, em seu art. 208, II estabeleceu como sendo dever do Estado a progressiva extensão da obrigatoriedade do ensino médio. A nova concepção de educação básica dada pela LDB referenda essa responsabilidade do Estado, ficando, assim, definida uma propriedade legal para a ampliação da oferta desse nível de ensino. P. 113.
- No ordenamento jurídico da educação, outra iniciativa que também deu visibilidade à necessidade de priorizar o ensino médio foi o Plano Nacional de Educação – PNE (Lei n. 10.172/2001), cujas metas incluem o ensino médio como um dos avanços a serem conquistados para garantir a elevação do nível de escolaridade da população. P. 113.
- Desde a avaliação preliminar do PNE realizado na Câmera Federal em fevereiro de 2004 até os dias atuais, vem se constatando mudanças nas políticas de acesso a esse nível de ensino. P. 114.
- Na LDB foram introduzidas algumas modificações que envolvem, especialmente, a educação de nível médio: a introdução do ensino da cultura afro-brasileira; a obrigatoriedade da educação física; a obrigatoriedade da língua espanhola. P. 114.
- Uma perspectiva de mudança estruturante com relação ao ensino médio está sendo debatida. Busca-se uma proposta adequada de avaliação, ainda não encontrada. P. 114.
- Ainda é alta a taxa dos jovens que não logram ingressar nesse nível de ensino, tanto daquele que estão fora do sistema de ensino, como daqueles que a pouco tempo concluíram o ensino fundamental , alem do elevado nível de abandono escolar. P. 114.



5. Educação básica: alguns dados, novos elementos e questões para reflexão          
Qualidade e equidade na educação: como alcançar?
- É mister reconhecer o inegável esforço do poder público  no cumprimento do dever do Estado para com ensino fundamental obrigatório. Um olhar sobre as estatísticas mostra que, em 2005, o percentual de matriculas atingiu 97, das quais 90% efetuadas na rede pública e apenas 10% nas instituições privadas de ensino. P. 15.
- Os dados estatísticos referentes a 2004 mostram que a repetência escolar no ensino fundamental é da ordem de 21,1% e a taxa de abandono de 609%5 ,o que na atual conjuntura torna-se grave, especialmente se considerada essas taxas com os dados da OCDE para 2002-03, que indicam a taxa mundial de repetência na “educação primária” de 3%. P. 115.
- Na tentativa de superação dos índices estatísticos negativos, o governo propôs uma série de medidas corretivas, formuladas sob a forma de metas quantitativas no Plano Nacional de Educação, visando à redução das taxas de repetência e evasão e a regularização do fluxo escolar, mediante programas de aceleração de aprendizagem, de recuperação paralela e de outros mecanismos previstos na LDB. P. 115
- Assim, contrariando as propostas de flexibilização e autonomia da unidade escolar, art. 9º, VI, da LDB estabelece como responsabilidade da união, “assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com o sistema de ensino, objetivando a definição de propriedades e melhoria de qualidade de ensino.” P. 16
- O controle de avaliação escolar, a partir do modelo único de avaliação estabelecido nacionalmente, vem merecendo criticas, seja pelo ranking que promove, incentivando a competição entre os indivíduos e entre escolas, seja pela valorização do produto, sem considerar o processo educacional em sua globalização. P. 116
- na tentativa de superar tais dificuldades, o governo brasileiro está propondo o plano de desenvolvimento da educação­­ – PDE -, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação. Uma das medidas propostas tem como foco a avaliação das crianças logo no inicio do ensino fundamental, para saber se estão sendo alfabetizadas, e fazer imediatamente as necessárias  correções. Outra novidade é a criação do Índice de desenvolvimento da Educação que terá a dupla finalidade de medir o rendimento escolar dos alunos ensino fundamental e para constituir o indicador para repasse dos recursos financeiros. P. 177
 Educação infantil e o ensino fundamental de nove anos
- A efetivação e a ampliação da obrigatoriedade escolar constituem os principais eixos das políticas públicas formuladas para a área educacional.  Assim, Plano Nacional de Educação, aprovado pela lei n. 10.172/01, estabelece como propriedade para o ensino fundamental a universalização do atendimento escolar, com a garantia de acesso e permanecia de todas as crianças na escola. P. 118
- a ampliação do tempo destinado à escolaridade obrigatória é uma inovação proposta pela LDB de 1996 pela política nacional do MEC, e sua implementação figura entre os principais programas definidos para o ensino para o ensino fundamental na segunda gestão do governo Lula. A justificativa anunciada e a de oferecer maiores oportunidades de aprendizagem no período da escolarização obrigatória e assegurar que, engessando mais cedo no sistema de ensino, as crianças prossigam nos estudos e alcancem maior nível de escolaridade. P. 118
- essa definição do ciclo para o ensino fundamental é polêmica, considerando as prescrições da LDB sobre as diferentes possibilidades de organização da educação básica e a prerrogativa do estado e município de defini-la. Vale registrar o procedimento do deputado Carlos Abicalil, quanto presidente da comissão de Educação e Cultura da Câmera Federal, ao reportar-se ao fato. P.119
- Em suma, a problematização do tema mostra que, para muitos, o propósito da obrigatoriedade escolar merece ser destacado, e quiçá, comemorando independente de outras considerações. Para outros, essa iniciativa cria impasse, considerando que a passagem das crianças de 6 anos para o ensino fundamental, longe de ser tranqüila, se dá entre duas instancias educacionais diferenciadas. O grande desafio que se coloca para a sua execução é o de promover o dialogo, a articulação e a integração entre a educação infantil e o ensino fundamental. P. 120
- A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional estabelece, em seu art. 26, que o currículo do ensino fundamental e médio deve compreender uma base nacional comum e uma parte diversificada, em ser definida em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, de acordo com a diversidade dos contextos regionais e locais. A pretensão é assegurar aos alunos a igualdade de acesso a uma base acional comum, que esteja organicamente integrada à parte diversificada o currículo, de forma a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. P121

Do ensino médio integrado á educação técnica-profissional
- No artigo “A educação básica redimensionada” (Pereira e Teixeira, 1997), procedeu-se na analise da educação técnica-profissional centrada nas polemicas existentes sobre a prática das relações entre educação, trabalho, ciência, tecnologia e produção. Acentuou-se, nessa ocasião, que no ensino médio tem se, historicamente, convivido com a fragmentação  dos conhecimentos e objetivos na organização dos cursos e redes. São duas alternativas no processo formativo, ambas com o propósito de realizar a escolarização de nível médio, sob a perspectiva de inclusão dos jovens e adultos no mundo do trabalho. P 122
- o citado artigo teve como eixo de analise a abordagem do tema na LDB, cuja construção deu-se a partir da promulgação da Constituição Federal, em 1988, havendo-se então ressaltado que, pela primeira vez, uma lei de diretrizes e base da educação nacional dedicava um capítulo especificamente à educação profissional- o capítulo III. P123.
- A adução dessa política desmantelou a proposta do ensino técnico- profissional que vinha sendo estruturada no país desde os anos de 1940 e que buscava um caminho de aperfeiçoamento que levasse a uma formação integrada com iniciativas no sentido de transformar-se numa proposta mais próxima do modelo da educação politécnica. P 123
- para isso é necessário um planejamento com ampla participação dos diversos segmentos da escola para a construção do seu projeto pedagógico. É, sobretudo, indispensável que a interdisciplinaridade seja colocada como eixo articulador da educação da educação geral e da educação profissional, no processo de formação de nível médio. O art. 39 da LDB detém-se especialmente nessa questão, estabelecendo que a educação profissional deve desenvolve-se de forma integrada às diferentes modalidades de formação, ao mundo do trabalho, à ciência e à tecnologia. P.124
- O ensino médio integrado esta sendo proposto pelo governo brasileiro aos estados constitucionalmente responsáveis por esse nível de ensino, ficando ao Ministério da Educação com a responsabilidade de oferecer apoio técnico e financeiro para a sua implantação. P. 124 


- A proposta do Ministério da educação sobre oferecer ensino médio  integrado apresenta-se sobre duas perspectiva:  a) uma política pontual, focada, por meio de um instituto legal autoritário, como se configura um decreto, que vem traduzir tanto o exercício de uma democracia restrita e limitada co a ausência de uma política estruturante; e b) um encaminhamento que pode ser traduzido como uma resposta parcial aos debates e reivindicações que se aprofundaram no país desde a década de 1970, por uma ensino médio que agasalhe o conceito de escola única e politécnica.P. 125

Considerações finais 
- Na formulação da LDB, foram marcantes as influencias  exercidas por órgãos que operam internamente – em nível nacional ou local-, assim como se constatam influências externas , advindas de organismos internacionais com atuação no setor educacional. essas múltiplas  vozes resultaram não apenas em conquistas para diferentes setores sociais representados no processo de sua construção, mas geraram também contradições, ambigüidades e omissões no texto da lei.P 126  

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