texto formatado com espaçamento 1,5; a4; arial 12 cor preta
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
MARANHÃO 66 [este documentário ilustra o discurso mentiroso proferido na posse do governo mais miserável que o maranhão já teve, que é o governo da família Sarney: essa estrutura de poder oligárquico que representou e ainda hoje (2011) representa a desgraça e a miséria que não deixa o maranhense ter paz. Paralelamente ao discurso mentiroso, é mostrada a miséria do estado.].
domingo, 25 de setembro de 2011
RELATÓRIO REFERENTE AO XIV ENCONTRO DE PESQUISAS NA GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UNICAMP REALIZADO NO PÉRIODO DE 08 A 12 DE AGOSTO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
1.
INTRODUÇÃO
Pretende-se
neste relatório fazer um esboço geral das atividades desenvolvidas no período
de 08 a 12 de agosto de 2011 na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na
ocasião do XIV Encontro de Pesquisa na Graduação em Filosofia da Unicamp, no qual
o Curso de Filosofia da Universidade Federal do Maranhão se fez presente por
meio dos acadêmicos Fábio Coimbra e Natália Pereira Pinheiro.
Realizado
pelo Departamento e pelo Centro Acadêmico de Filosofia da Unicamp, com duração
de uma semana, o evento recebeu acadêmicos pesquisadores em filosofia das
principais instituições de ensino superior do Brasil, tais como a USP, UNB, UFMG,
UFRJ, UFPR, UNESP, UFSCar, PUC-Camp, UFOP, dentre outras. Da Região Nordeste
apenas a UFMA teve presente. Igualmente, da Região Norte, apenas a UFPA marcou
presença. Ao todo, foram mais de 15 Instituições de Ensino Superior presentes
no evento, somando um total de 30 comunicações.
2.
DA
ESTRUTURA DO EVENTO
Quanto
à estrutura, o evento ocorreu da seguinte maneira: das 09hrs às 12hrs, e das
16hrs às 18hrs ocorriam as mesas, de comunicações; as conferências dos
professores ocorria sempre alternando Tarde e noite. A conferência de abertura
foi ministrada pelo professor Dr. Luiz Orlandi do IFCH-UNICAMP, e teve como
tema “Filosofia com Arte”. O encerramento do evento, ocorrido no dia 12, teve
como conferencista o professor Dr. Hector Benoit do IFCH-UNICAMP, com o tema
“Uma leitura estética d’ O Capital”.
Sobre
os trabalhos, os resumos foram publicados impressos. As demais informações estão
disponíveis no blogger do evento no seguinte endereço: http://www.cafilunicamp.com/p/eventos.html
Os
certificados das comunicações eram entregues logo após a apresentação das
mesmas. Ao final do evento fora conferido um certificado de participação nas
atividades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Eventos
dessa magnitude, obviamente contribuem muito para estimular o gosto, o desejo,
e a ambição pela sabedoria e pela ciência. É sempre um instante singular que
deve ser aproveitado como se fosse o ultimo (para dizer que é preciso
aproveitar o máximo possível).
Um
evento dessa grandeza comporta sua excelência em várias dimensões. Primeiro,
ele favorece uma interação entre os acadêmicos pesquisadores das mais diversas
áreas da filosofia (desde os primórdios com a tradição pré-socrática até os
dias de hoje); dessa interação entre os acadêmicos – cada um apresentando os resultados
de suas pesquisas – surge um clima de aprendizagem decorrente da troca de
informações, o que possibilita, sem sombra de duvida, que haja uma ampliação na
ciência de cada um; Segundo, o evento concentra sempre em um único lugar alguns
dos melhores e maiores nomes da filosofia no Brasil – alguns dos quais são
conhecidos internacionalmente; Terceiro, ele (evento) faz com que haja uma
interação entre as regiões do Brasil, no que diz respeito à Filosofia, o que
contribui consideravelmente para a quebra de preconceitos, para alguns que
acham que a melhor filosofia é a deste ou daquele lugar. Além dessas, há também
outras grandezas que fazem com que o evento se torne celebre por si mesmo.
Em
suma, foi uma satisfação representar o curso de Filosofia da UFMA naquela que é
a segunda maior Instituição de Ensino Superior do Brasil, a UNICAMP. Isso faz
com que tanto a Filosofia da UFMA, como a própria universidade seja comentada
em outras partes do Brasil, assim como também das outras partes por aqui se
comenta.
sábado, 17 de setembro de 2011
STJ ANULA PROVA CONTRA FILHO DE SARNEY
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas colhidas durante a
Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de
crimes cometidos por integrantes da família do presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP). Os ministros da 6ª Turma do STJ consideraram
ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações.Revelações
sobre a Boi Barrica, feitas pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2009,
levaram a Justiça a decretar censura ao jornal, acolhendo pedido do
empresário Fernando Sarney, filho do senador.
Com a anulação das interceptações ficam comprometidas outras provas obtidas posteriormente, resultantes de quebras de sigilo bancário e fiscal. Volta praticamente à estaca zero a apuração de uma suposta rede de crimes cometidos pelo grupo a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie às vésperas da eleição de 2006 e registrado como movimentação atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na época, Roseana Sarney era candidata ao governo do Maranhão.
Com as escutas e informações sobre movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.
Em julho de 2009, depois de seis horas de depoimento na Superintendência da PF, em São Luís, o empresário Fernando José Macieira Sarney, filho do presidente do Senado, chegou a ser indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.
O STJ tomou a decisão ao analisar um pedido de João Odilon Soares, funcionário do grupo Mirante de comunicação, que pertence à família Sarney.
Soares também foi investigado. Para conseguir anular as provas, o advogado Eduardo Ferrão baseou-se em decisões anteriores tomadas pelo STJ e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Precedentes
Em uma dessas decisões recentes, o STJ anulou as provas da Operação Satiagraha, que investigou suspeitas de corrupção supostamente envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Na ocasião, os ministros da 5ª Turma do tribunal concluíram que foi ilegal a participação nas investigações de integrantes da Agência Nacional de Inteligência (Abin).
"Os precedentes do STF e do STJ entendem que as decisões judiciais que autorizam interceptação têm de ser rigorosamente fundamentadas", disse Ferrão. "O STJ falou que está nulo porque (a investigação) não respeitou a Constituição Federal e a lei", afirmou Ferrão ao Estado.
"No caso, nós entendemos que não havia fundamentação. Eles não indicavam quais eram as suspeitas. E as interceptações foram prorrogadas por 18 vezes. Foram 200 dias de bisbilhotagem, foi uma devassa", disse o advogado.
Ferrão também reclamou que a quebra de sigilo afetou pessoas que não estavam sob investigação, como advogados e jornalistas. De acordo com ele, isso ocorreu porque a Justiça Federal no Maranhão decretou a quebra de sigilo dos e-mails de todos os funcionários do grupo Mirante.
O advogado sustenta que a anulação das provas não significa o fim das investigações e, consequentemente, a impunidade dos investigados. "As investigações devem prosseguir. Os investigados têm interesse em que as investigações sejam realizadas e concluídas. Mas de acordo com a lei", afirmou. "Os registros bancários continuarão existindo. Os extratos estarão disponíveis daqui a 10 ou 20 anos", disse.
Com a anulação das interceptações ficam comprometidas outras provas obtidas posteriormente, resultantes de quebras de sigilo bancário e fiscal. Volta praticamente à estaca zero a apuração de uma suposta rede de crimes cometidos pelo grupo a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie às vésperas da eleição de 2006 e registrado como movimentação atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na época, Roseana Sarney era candidata ao governo do Maranhão.
Com as escutas e informações sobre movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.
Em julho de 2009, depois de seis horas de depoimento na Superintendência da PF, em São Luís, o empresário Fernando José Macieira Sarney, filho do presidente do Senado, chegou a ser indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.
O STJ tomou a decisão ao analisar um pedido de João Odilon Soares, funcionário do grupo Mirante de comunicação, que pertence à família Sarney.
Soares também foi investigado. Para conseguir anular as provas, o advogado Eduardo Ferrão baseou-se em decisões anteriores tomadas pelo STJ e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Precedentes
Em uma dessas decisões recentes, o STJ anulou as provas da Operação Satiagraha, que investigou suspeitas de corrupção supostamente envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Na ocasião, os ministros da 5ª Turma do tribunal concluíram que foi ilegal a participação nas investigações de integrantes da Agência Nacional de Inteligência (Abin).
"Os precedentes do STF e do STJ entendem que as decisões judiciais que autorizam interceptação têm de ser rigorosamente fundamentadas", disse Ferrão. "O STJ falou que está nulo porque (a investigação) não respeitou a Constituição Federal e a lei", afirmou Ferrão ao Estado.
"No caso, nós entendemos que não havia fundamentação. Eles não indicavam quais eram as suspeitas. E as interceptações foram prorrogadas por 18 vezes. Foram 200 dias de bisbilhotagem, foi uma devassa", disse o advogado.
Ferrão também reclamou que a quebra de sigilo afetou pessoas que não estavam sob investigação, como advogados e jornalistas. De acordo com ele, isso ocorreu porque a Justiça Federal no Maranhão decretou a quebra de sigilo dos e-mails de todos os funcionários do grupo Mirante.
O advogado sustenta que a anulação das provas não significa o fim das investigações e, consequentemente, a impunidade dos investigados. "As investigações devem prosseguir. Os investigados têm interesse em que as investigações sejam realizadas e concluídas. Mas de acordo com a lei", afirmou. "Os registros bancários continuarão existindo. Os extratos estarão disponíveis daqui a 10 ou 20 anos", disse.
sábado, 6 de agosto de 2011
O PENSAMENTO ÉTICO CONTEMPORÂNEO DE HABERMAS
Em princípio, pode-se dizer
que o que define a ética contemporânea pensada por Habermas, é a rejeição dos
referencias históricos até então fundamentos para o pensamento ético. Esses
referenciais, que se constituem em uma tríade, deixada na lateral pelo pensador
alemão, são – segundo Jacqueline Russ – primeiro, “a ciência como ideologia
[...]; o discurso como ‘modernista’ [...]; e a metafísica [...]”. [1]
Essa rejeição a esses referenciais históricos, como a metafísica, demarca com
clareza o conflito entre Habermas e outros pensadores como, por exemplo,
MacIntyre, o qual defende um retorno à tradição como cura para os males éticos
da contemporaneidade. Na concepção de Habermas, não há nenhuma necessidade de
se usar a metafísica como fundamentos para a ética contemporânea.
Cumpre aqui salientar que o
entendimento do pensamento habermasiano, no que diz respeito ao assunto
tratado, só pode ocorrer com o máximo de clareza possível na medida em que se
considera e se entende também o universo da filosofia contemporânea marcada por
seus problemas e complexidades. A abordagem ética de Habermas está situada no
contexto da virada lingüística do século XX. A compreensão desse evento,
juntamente com a totalidade dos problemas que ela suscita, é que constituem,
portanto, a chave para a compreensão do pensamento ético desse autor. Nesse
contexto, a lingüística e, portanto, o mundo da linguagem, constitui o pano de
fundo fundamental sob o qual se destacará grande parte (ou talvez a maior
parte) dos problemas filosóficos dessa época. Embora a virada lingüística tenha
se dado somente no século XX, a linguagem, como tal, já se constituía como
fundamento da filosofia no século XIX. A importância da linguagem, nesse
sentido, reside no fato de que é ela que diz ou determina o que as coisas são.
Portanto, pode-se dizer que o universo fundamental no qual se desenvolve o
pensamento ético de Habermas é o da filosofia da linguagem. É nesse contexto
que ele situa a ética no campo do discurso e da comunicação, não perdendo de
vista a racionalidade, sendo essa a razão pela qual ele vai falar de uma
racionalidade comunicativa. Com a abordagem Habermasiana, a comunicação ocupa
lugar de destaque no cerne da contemporaneidade. E é ancorado no protótipo da linguagem que
Habermas recusa o retorno aos pressupostos filosófico-históricos, como a
metafísica. Ou seja, em Habermas o que norteia a ética é o paradigma da
comunicação. Uma das características da comunicação é que ela visa ao diálogo
entre os sujeitos. Esse diálogo também se traduz na decifração de signos que se
expressam na comunicação por meio da linguagem.
Cumpre ressaltar também que
Habermas é crítico da mentalidade positivista de inspiração kantiana. Essa
crítica do filósofo reside no fato dele não conceber as normas como a priori à consciência dos membros de
uma determinada sociedade, tal como ocorre em Kant. O que Habermas propõe, em
contraposição, é que as normas sejam construídas no seio da sociedade por meio,
exclusivamente, da racionalidade discursiva. Ou seja, a instituição das normas
deve ser precedida pelo diálogo entre os integrantes de um determinado grupo. A
tendência do diálogo é chegar a um consenso, o qual se traduz em normas que,
não obstante, se universalizam. É dessa maneira, portanto, que se dá a
instituição das normas via capacidade discursiva. É também desse modo que
Habermas parece postular uma dissolução da oposição entre moralidade e
legalidade. A moralidade, que pertence à esfera do Estado, não pode está em
oposição à legalidade porque o que é legal é, agora, fruto de um consenso entre
os membros do Estado. Portanto, se a moral é a maneira como o Estado se
organiza para administrar a conduta dos indivíduos – ao contrário da ética que
é individual e está ligada a princípios de conduta pessoa –, esses (os
indivíduos) à sua vez, participam dessa organização por meio do discurso. É
nesse sentido que Habermas fala da ética do discurso, ou seja, um universo onde
tudo está ligado à comunicação, à linguagem. A linguagem – que serve para o
entendimento – por sua vez, só se dá numa relação interpessoal, discursiva e de
consciência. Como tal ela representa o único meio pelo qual os indivíduos podem
chegar ao consenso sem o uso da violência. Ou seja, somente a fala – ou em
termos habermasiano, o agir comunicativo – pode gerar o consenso isento de
coação. A linguagem também representa a própria condição de possibilidade da
racionalidade, dado que é por meio dela (linguagem) que se pode expressar o
pensamento que é, por excelência, a atividade da razão, embora nem todo
pensamento seja racional. Portanto, na ética habermasiana nada depende de uma
razão pré-estabelecida. Pelo contrário, tudo é construído gradativamente por
meio da linguagem, ou seja, do discurso.
Outra questão relevante que
merece destaque é a relação entre Direito e Moral. A Moral, em Habermas, está
associada ao Direito. Essa relação se dá pelo fato de que enquanto o Direito
determina as normas (mas, passando antes pela via discursiva e chegando a um
consenso), a moral caracteriza a ação do Estado para, a partir de tais normas,
reger o funcionamento da sociedade. Nesse contexto, o princípio moral também
opera na constituição interna de uma determinada argumentação. E nesse sentido,
para Habermas, direito e moral se desenvolve num viés congenial. E desse modo,
a relação entre ambos se torna relevante.
REFERÊNCIA
RUSS, Jacqueline. Pensamento ético contemporâneo. São Paulo: Paulus, 1999. In: Studium São Basílio Magno: Instituto de
Filosofia, Ética II, Curitiba, 2007.
HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo
brasileiro, 1989. In: Studium São
Basílio Magno: Instituto de Filosofia, Ética II, Curitiba, 2007.
[1] Cf. Russ, Jacqueline. Pensamento ético contemporâneo. São
Paulo: Paulus, 1999. In: Studium São
Basílio Magno: Instituto de Filosofia, Ética II, Curitiba, 2007. p. 143.
A CRISE DA ÉTICA CONTEMPORÂNEA NO PENSAMENTO DE ALASDAIR MACINTYRE
Em sua análise da sociedade
moderna e contemporânea, herdeira da tradição iluminista, MacIntyre se depara
com uma crise de valores éticos, históricos e culturais. Nesse contexto, a sua
intenção consiste, primeiro, na busca do entendimento desse fenômeno para, em
seguida, pensar a solução mais viável possível pela qual se poderá resolver esse
problema. Cumpre ressaltar que o que norteia o pensamento desse filósofo é a
proposta de retorno às tradições morais de pesquisa racional, especificamente a
tradição aristotélica. A proposta de retorno a Aristóteles se deve ao fato de
que MacIntyre vê nele a conjugação perfeita da tríade virtude – ética –
racionalidade. No estagirita esses elementos se complementam sem se separar. Na
modernidade, uma das razões para a crise ética que se instala se dá,
principalmente, em decorrência da cisão entre esses ideais (virtude, ética e
racionalidade).
Em principio, MacIntyre se
dá conte de que o problema decorrente do rompimento entre a modernidade,
iniciada pelos ideais iluministas, e a tradição de pensamento antigo e medieval,
se deve, sobretudo, ao abandono dos ideais éticos, tão valorizados no contexto
das tradições, as quais possuem seus próprios padrões de racionalidade que, à
sua vez, implicam num tipo de progresso que ela (tradição) faz. Do progresso
que as tradições fazem, também resulta o acréscimo de confiança nelas,
sobretudo, quando elas dão conta de solucionar as questões que lhes são postas.
É no sentido do uso fragmentado dos ideais tradicionais que MacIntyre se dá
conta de que a modernidade e a tradição têm projetos de pesquisa diferentes. E
a partir daí percebe que os problemas da contemporaneidade, que decorrem dessa
cisão, podem ser solucionados caso haja uma retomada dos elementos tradicionais
de pesquisa racional. E é justamente essa razão pela qual ele propõe o retorno
à tradição.
Dado que MacIntyre vê em Aristóteles
a referência fundamental da ética e do modelo de racionalidade tradicional,
ele, então, defende uma retomada da ética aristotélica que preza pelas virtudes,
as quais passam a constituir um tema fundamental no seu pensamento. É
importante assinalar que na conjuntura do pensamento de MacIntyre, a virtude
não deve ser concebida como algo linear no sentido de não sofrer nenhuma
modificação do meio, ou do conjunto dos acontecimentos próprios de um contexto
social. Pelo contrário, ela está – diga-se de passagem – estritamente
relacionada com a mentalidade da época, e muda na medida em que a mentalidade e
os acontecimentos mudam também. Assim, por exemplo, no período clássico a
virtude era definida na polis. Nesse período (clássico), com as transformações
que vieram a ocorrer, ocorreu também uma mudança nas virtudes. É importante
também lembrar que a virtude muda de um lugar para outro. Por exemplo, se em
Atenas a virtude do cidadão era a educação, em Esparta vai ser a disposição e
robustez do indivíduo para a guerra. Ou seja, a virtude dos indivíduos de uma
determinada época está em constante harmonia com os ideais, ou objetivos que a
sua sociedade se põe a perseguir, e que como tais constituem, ou representam a
totalidade do projeto dessa sociedade.
Outro ponto de destaque no
contexto da reflexão de MacIntyre sobre as virtudes é a noção de virtude como telos. Significa isto que a virtude deve
ser pensada como meio. Entretanto, como medial, a virtude deve ser meio apenas
para a escolha das ações retas, escolhas essas que devem ser próprias dos
agentes virtuosos. Nesse sentido, agir virtuosamente pode até ser entendido
como agir pelas paixões, mas, somente se essas forem educadas pela razão, isto
é, pela própria virtude por intermédio da qual se dá a escolha racional.
Percebe-se aqui que agir virtuosamente é agir baseado na razão. Em suma, pode
se conceber em MacIntyre as virtudes como sendo as qualidades imprescindíveis
que viabilizam ao indivíduo o alcance de determinadas metas.
Outra questão relevante à
compreensão do pensamento de MacIntyre em matéria do que aqui está sendo
tratado diz respeito à complementaridade que há entre virtude e lei, as quais
se configuram no pensamento desse autor como constitutivos parciais de uma
determinada sociedade. Nesse contexto se dá também a reflexão sobre a justiça,
cuja virtude vem a lume como critério necessário para a aplicação da lei. Nesse
sentido, a função da virtude consiste na superação dos males, sobretudo
daqueles que corrompem as instituições, as quais, uma vez corrompida, se tornam
corruptoras. Cumpre ressaltar que a corrupção das instituições é, por excelência,
causa dos vícios, e jamais das virtudes. Daí a necessidade de se conservar
estas e banir aquelas (as ações viciosas). Desse modo, em MacIntyre, há uma
precedência da virtude. Ou seja, a virtude é a primeira exigência para a
construção de boas instituições que, sendo boas, podem constituir uma sociedade
sadia. Assim, o conjunto das praticas em sua integridade requer o exercício da
virtude. É importante assinalar que a falta de justiça não corrompe apenas as
instituições, mas, também as tradições. Logo, é a prática das virtudes que
equilibra as relações entre as tradições e as instituições. Na ausência desse
princípio (virtude), essa relação tende a certa tensão. Às dificuldades daí
decorrentes se adiciona os conflitos de uma tradição com outra tradição. Ao
conjunto, ou à soma desses problemas se diz que constitui assim os conflitos externos
de uma determinada tradição. Uma das razões desses conflitos externos decorre
do fato de que toda tradição está sempre em contradição com alguma coisa. Alem
desses, há também os conflitos internos das tradições. Entretanto, cumpre
ressaltar que tanto os conflitos externos, quanto os internos não constituem,
por si só, razões suficientes para que o abandono à tradição venha a ocorrer.
Pois, uma tradição (de pesquisa racional) é também um paradigma, ao qual não há
como se abandonar se não há outro para se assumir.
Uma terceira questão
fundamental à compreensão da crise ética da contemporaneidade em MacIntyre diz
respeito à perda da historicidade que ainda estava presente na ética anterior
(aristotélica), perda essa que se deveu, especificamente, ao advento da
modernidade. E é justamente nesse aspecto que no pensamento do filósofo a moral
moderna estava fadada à falência. E isso constituía diretamente um reforço à
proposta de retorno a Aristóteles.
Pode-se dizer, em suma, que é
a partir da crítica ao iluminismo [quando do seu fracasso] que MacIntyre opera sua
critica a modernidade. E é pela via da crítica à modernidade, que ele se volta
para as tradições morais de pesquisa racional, como lugar possível onde a
racionalidade dos fins pode encontrar o seu lugar sem ser dissolvida pela
instrumentalidade de uma vontade arbitrária, tal como a partir do iluminismo.
Nesse contexto, pode-se dizer que MacIntyre centra, parcialmente, a sua tese na
análise do fracasso do projeto iluminista de uma ética autônoma, fracasso esse que
se deveu, sobretudo, ao abandono dos ideais tradicionais de pesquisa racional
que incorporavam – simultaneamente à racionalidade – a ética, a prática das
virtudes e a historicidade. Ou seja, com o iluminismo houve uma cisão,
especificamente, entre ética e racionalidade, seguindo-se essa e abandonando-se
aquela. Nesse sentido, MacIntyre propõe uma retomada da ética aristotélica das
virtudes como solução possível para o problema ético da contemporaneidade. Aqui
cabe destacar que na concepção de aristotélica, a virtude só era possível a
partir de uma determinada forma de vida. Nesse contexto, o filósofo propõe uma
ética como fim. Na visão de MacIntyre, a idéia de virtude como telos, já que em Aristóteles há uma
teleologia, só poderá subsistir a partir de uma comunidade que assegure aos
seus próprios membros papeis compreensíveis no âmbito de pesquisa racional.
Assim, pode-se argumentar que o que caracteriza a ética de MacIntyre é o fato
de que, primeiro, ele faz um diagnostico da modernidade e da contemporaneidade
nas quais vê uma desordem em se tratando de teorias e práticas morais, desordem
essa que resulta como herança do fracasso do projeto iluminista; e, segundo,
dada essa diagnosticação, ele se pretende, então, como médico do cenário
cultural e ético moderno e contemporâneo. E, como médico, o seu medicamento é um
retorno a ética das virtudes tal como em Aristóteles. Ou seja, MacIntyre está
propondo um retorno às tradições morais de pesquisa racional, especificamente a
tradição aristotélica.
REFERÊNCIA
CARVALHO, Helder Buenos Aires de. Asladair MacIntyre e a proposta de retorno
às tradições morais de pesquisa racional. In: OLIVEIRA, Manfredo Araujo de
(Org.) Correntes fundamentais da ética
contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2000.
RUSS, Jacqueline. Pensamento ético contemporâneo. São Paulo: Paulus, 1999. In: Studium São Basílio Magno: Instituto de
Filosofia, Ética II, Curitiba, 2007.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
AS 100 MELHORES UNIVERSIDADES DA AMÉRICA LATINA
RANKING WEB
OF WORLD UNIVERSITIES: TOP LATIN AMERICA
Disponível em:
http://www.webometrics.info/top100_continent.asp?cont=latin_america
Acesso em: 29 de Julho de 2011
Adaptado com destaque de verde e amarelo para as universidades brasileiras
1
Universidade de São Paulo *
____________________________________________________________
2 Universidad Nacional Autónoma de México *
____________________________________________________________
2 Universidad Nacional Autónoma de México *
4 Universidade Estadual de Campinas *
Assinar:
Postagens (Atom)